PAINEIRA VELHA

N.A:
(este poema, pela simplicidade das palavras, foi considerado por vários escritores consagrados
um marco antológico na língua portuguesa brasileira atual)

***

Paineira velha
de beira de estrada
tanto fui e vim
tanto vou e volto
de tudo que eu sabia
de tudo me revolto
se já não sei de nada
nem duma nova jornada
nem mesmo de mim

Paineira velha
de beira de estrada
onde o pássaro faz morada
mora nos meus olhos
ó marco de encruzilhada

de frutos na caminhada
que não colhi
vendo tua copa florida
na vida encantada
sinto que por ti passo
tão só como tu
resistindo ao tempo
de um portal ao vento
ao relento
da lua apagada

que vai se abrir
luzir
se sei tudo que sei
já de saber de tudo
meu coração mudo
nas rédeas da esperança
nunca se cansa
de tantas viagens

desde tua sombra
a lúdicas paragens
dum corpo sofrido
que cansado descança
livre leve criança

ó incontida festança
estrada da paineira velha!

que minh'alma não fique calada
se eu um dia não regressar

estarei como tu esquecida
na primavera da vida
que daqui vejo noutro lugar

 

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Friday, June 8, 2012 - 17:32

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