Cidade

Sou um efêmero e não muito descontente cidadão de uma metrópole que
julgam moderna porque todo estilo conhecido foi excluído das mobílias e do
exterior das casas bem como do plano da cidade. Aqui você não nota rastros
de nenhum monumento de superstição. A moral e a língua estão reduzidas às
expressões mais simples, enfim! Estes milhões de pessoas que nem têm
necessidade de se conhecer levam a educação, o trabalho e a velhice de um
modo tão igual que sua expectativa de vida é muitas vezes mais curta do que
uma estatística maluca encontrou para os povos do continente. Assim como,
de minha janela, vejo novos espectros rolando pela espessa e eterna fumaça de
carvão, — nossa sombra dos bosques, nossa noite de verão! — as novas
Erínias, na porta da cabana que é minha pátria e meu coração, já que tudo
aqui parece isto, — Morte sem lágrimas, nossa filha ativa e serva, um Amor
desesperado, e um Crime bonito uivando na lama da rua.

Jean Arthur Rimbaud
Livro: Iluminações

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Lunes, Febrero 23, 2009 - 18:21

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JeanArthurRimbaud

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Re: Cidade

Muito bom, gostei de ler! :-)

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