Bárbaro

Bem depois dos dia e das estações, pessoas e países,
A bandeira em carne viva sobre a seda de oceanos e flores árticas; (elas não
existem.)
Livre das velhas fanfarras do heroísmo — que ainda nos atacam cabeça e
coração — longe dos velhos assassinos —
Oh! A bandeira em carne viva sobre a seda de oceanos e flores árticas; (elas
não existem.)
Doçuras!
As brasas, chovendo em rajadas de geada, — Doçuras! — os fogos na chuva
de vento de diamantes lançada pelo coração terrestre eternamente carbonizado
para nós. — Ó mundo! —
(Longe dos velhos refúgios e das velhas chamas, que se ouve, e se sente,)
As brasas e as espumas. Música, abismos invertidos e choque de flocos de
gelo contra os astros.
Ó doçuras, ó mundo, ó música! E lá, as formas, os suores, os cabelos e os
olhos, flutuando. E as lágrimas brancas, borbulhantes, — ó doçuras! — e a
voz feminina que chega ao fundo dos vulcões e grutas árticas.
A bandeira...

Jean Arthur Rimbaud
Livro: Iluminações

Submited by

Lunes, Febrero 23, 2009 - 18:36

Poesia :

Sin votos aún

JeanArthurRimbaud

Imagen de JeanArthurRimbaud
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 15 años 10 semanas
Integró: 10/11/2008
Posts:
Points: 263

Comentarios

Imagen de Henrique

Re: Bárbaro

Muito bom, gostei de ler! :-)

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of JeanArthurRimbaud

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Fantasía Après le Déluge 1 746 02/28/2010 - 01:54 Portuguese
Poesia/Aforismo [Fragments du Feuillet 12] 1 642 02/28/2010 - 01:53 Portuguese
Poesia/Fantasía Royauté 1 586 02/28/2010 - 01:53 Portuguese