O valor de uma preciosa vida humana (homenagem à Juíza Patricia Accioli)

Uma jovem juíza

no exercício de sua nobre função

é alvejada na porta de entrada

de sua morada.

 

Quando retornava após longo dia

para reencontrar sua família

a tragédia tem ares de brutal crueldade

atribuída a grupos de extermínio  

 

A criminalidade

beira a uma situação

de banalidade

e descaso público.

 

Milicianos,

mafiosos,

malfeitores

estão soltos.

 

Reunem o que há de pior

no rasgado e débil tecido social

na esteira de práticas criminosas

muitas vezes com cumpricidade de políticos 

 

Em quem confiar?

Quem é, de fato, autoridade?

Tá tudo mesmo dominado

pela crime organizado

 

Não me venham com cosmética

É clara a aritmética

Não há limite, nem razão

Pra entender tal vazão

 

A juíza cumpria seu ofício com ação

Coragem, competência e destemor

Mas, o Estado não lhe concedeu proteção

Pra sociedade da bandidagem defender.

 

Sob a toga da injustiça

Armada até os dentes e impune

Tomba a nobre defensora

Da lei ultrajada de forma insolente

 

Se nem a juíza marcada para morrer

Escapa à cilada premeditada

O que então dizer 

Do simples cidadão na mão da marginália?

 

AjAraújo, o poeta humanista, escrito a propósito do covarde e cruel assassinato de uma jovem e promissora juíza em Niterói, em 11 de agosto de 2011. 

 

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Sábado, Agosto 13, 2011 - 02:19

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