CINZAS

Cinzas

 

As cinzas são sempre cinzentas,

Nascidas fogo de asas amarelentas,

São restos da sua refeição abrasadora,

Que come à sua quente manjedoura,

Só está satisfeito quando tudo come,

Ficando as cinzas do que consome.

 

As cinzas negras voam com a ventania,

Não escolhendo hora nem noite nem dia,

Espalhando-as por toda a parte,

Demonstrando a sua imensa força e arte,

Ninguém o vê nem o consegue deter,

Espalhando as cinzas que o fogo fez morrer.

 

O fogo é insaciável tudo consegue engolir,

Devora tudo e depois se põe a rir,

Não tem garganta nem se vê a sua boca,

Quanto mais come mais acha pouca,

A refeição que alguém lhe pôs na mesa,

E ele come sempre tudo à pressa.

 

Cinzas vivas são sempre recordadas,

E morrem se deixam de ser lembradas,

Cinzas pretas e brancas filhas do fogo,

Sem tempo, nem presente, nem logo,

No chão duro que não conhece ninguém,

Onde ficam as cinzas pretas também.

 

 

 

Tavira, 28 de Maio de 2011-Estêvão

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Jueves, Noviembre 14, 2013 - 16:06

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José Custódio Estêvão

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POEMA

Corpo já foste, em cinzas te tornaste,
Enquanto corpo nunca pensaste,
Que o fogo é o tempo que tudo leva,
Transforma o corpo em nada, nada conserva.

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