Eu sei que foi você - capítulo 13
À hora do intervalo, Marcelo seguiu Cassandra e entrou na biblioteca, procurando-a.
Encontrou-a sentada no chão, de cabeça baixa. Chegou perto.Sem levantar a cabeça, ela falou:
-Eu quero ficar só. Por favor, deixe-me.
Respirando fundo para conter o susto, Marcelo falou:
-Cassandra, eu queria saber...
-Não vou lhe falar nada.
-Mas eu nem lhe disse o que pretendia.
-Seja o que for, não vou dizer, Marcelo.
Cuidadosamente, Marcelo chegou mais perto e notou.
-Cassandra, você está chorando? O que foi que aconteceu?
Ela levantou os olhos e pediu:
-Marcelo, deixe-me sozinha.
Negando-se a sair de perto dela, ele falou:
-Cassandra, você não quer se abrir? É por causa da Michele ou do Narciso?
-Eu queria não ser quem sou, Marcelo.
-Mas por que, Cassandra? Não há nada errado com você.
-Gostaria de ter certeza disso.
Sentou perto dela.
-Se o Narciso está lhe amolando, posso lhe ajudar. E não ligue para a Michele. Ela é uma idiota.
-Quem não vê?
-Cassandra, ficar aqui sozinha não é bom.
Ela olhou para ele, que continuou:
-Sabe, eu não acho você feia ou esquisita.
-Obrigada.
-Por que não vamos à lanchonete?
-Vão ver que chorei.
-Então, posso ficar aqui?
-Está bem, pode.
As lágrimas lembravam gotas de cristal no rosto delicado. Instintivamente, Marcelo estendeu a mão, enxugando seus olhos e ela suspirou:
-Por que eu sou quem sou, Marcelo?
-Não há nada errado em você, Cassandra. Ter olhos de cores diferentes é raro, mas não é um defeito.
-Não, não é isso.
-Bem, não vou perguntar o que é. Você não vai responder.
-Ser quem sou me faz ser tão sozinha.
-Calma, nem todos são idiotas. Se você se abrir e procurar, pode fazer amigos.
-Você é tão legal, Marcelo.
-Você é legal, Cassandra. Por que se isola?
-Porque preciso do silêncio e a biblioteca é o único lugar onde posso ter silêncio.
Ele não entendeu mas não pediu explicações. Fora atrás dela para perguntar sobre a rixa com Narciso, porém vira que ela não lhe responderia. Gentilmente, ofereceu-lhe uma bala. Ela a pegou com timidez.
-Obrigada.
Ao tocar o sinal do fim do intervalo, ele a ajudou a levantar.
-Acho melhor eu lavar o rosto.
-Eu acompanho você.
-Se nos virem juntos, dirão que somos namorados.
-Estou me lixando. Digam o que quiserem.
Marcelo esperou do lado de fora do banheiro feminino. Quando ela saiu, ele pediu:
-Cassandra, quer que eu seja seu amigo?
Ela sorriu, dizendo:
-Quero.
-Vamos à sala de aula.
Viram-nos entrar na sala de aula e começaram a cochichar:
-E ainda vão negar?
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