óssos do ofício.
Trespassa desgraça.
Vive roendo papel,
triste e sobrevivente traça,
conquista do verde anel,
ministro da desgraça,
sobrevive de morte e fel.
É quem dá a notícia,
triste, queria que fictícia,
mas real:
- Morreu,
(de qual mesmo o mal?)
Para os outros,
apocalipse pessoal,
para ele, mais um dia,
triste dia, normal...
Levanta, ergue, segue,
come, vive, quase dorme e some.
Viver no limbo consome,
mas é natural.
Coisa que vive o homem,
na vida de bem e mal.
Quando necessitamos entrar nos universos pessoais para intervir de forma abrupta e retornar para nosso dia-a-dia limpos de tristeza e agonia.
Ossos do ofício.
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Martes, Septiembre 29, 2009 - 14:39
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Comentarios
Re: óssos do ofício.
analyra,
Até o próprio homicida, tem uma história de vida que passa bem para lá do que ele expõe...
Como diz o povo," mate-se o mensangeiro"...
Será que todo o mensageiro da "desgraça" não estará já ele, também, um pouco morto??
Gostei imenso...
Ana
Ps: cada vez mais sua fã...
Re: óssos do ofício.
Eterna luta inglore.O mal eu sempre reprovo,mas provo dele também.O bem sempre sobressai,mas espere...ele sempre vem.(ce).Lindo Ana! bj ;-)
Re: óssos do ofício.
Olá, Ana Lyra,
Há quanto tempo não comento um poema teu, mas não por achar menos qualidade neles, e sim, por não estar muito conseguindo escrever.
Parabéns por este escrito que, especielmente neste momento, me leva a uma leitura mais ampliada de determinada situação. Sua forma de escrever é muito própria, com um grande domínio da língua, o que lhe permite uma musicalidade e um jogo de sentidos muito bem trabalhado. Gosto muito do que escreve.
Um abraço,
Lila.
Re: óssos do ofício.
Grata Lila, também ando comentando pouco, são os fluxos da vida.
Grata por lembrares de mim.
Grande abraço.
Re: óssos do ofício.
Este texto é belo, pela simplicidade com que descreve a melancolia e resignação que pairam em volta da personagem aqui descrita. Gostei mesmo! No entanto, acho que o sentimento de tristeza poderia estar mais subentendido, tendo em conta que usaste essa palavra em todas as estrofes excepto a última, correndo o risco de limitar a liberdade de interpretação/reflexão do leitor, ainda que neste caso a mensagem fosse bastante directa. Parabéns :-)
Re: óssos do ofício.
Caro colega, aqui a intenção é subentender o sentimento de resignação de quem vive e trabalha em locais de vida e morte, e como para sobreviver neste ambiente a tristeza acaba se tornando banal, pois se sentirmos visceralmente todos os sentimentos não sobrevivemos. Aqui gostaria de passar a necessidade de isolamento afetivo que vezes a a vida impõe, a necessidade de que se seja assim para em função de sobrevivência emocional e física. E é isso, uma vida imersa em tristeza, menos na última estrofe.
Grande abraço.
Re: óssos do ofício.
Cara amiga,
Como sempre, linda demais!!!
Parabéns.
Teu talendo é indiscutível!
Um grande abraço,
Roberto
Re: óssos do ofício.
Triste de quem sobrevive de morte e fel.
E o mel, quem lhe tirou da vida o mel...
Para onde foi a sua alegria....?
Não viverá assim perdido.
Morreu...não ficticiamente, morreu.
Mas viver sem mel?Ja estava morto antes do coração parar
Re: óssos do ofício.
O mel? Está no céu, onde ele olha sem parar,
esperando achar um lugar, uma porta, um olhar,
para da sua alma possa expurgar as dores que em seu dia-a-dia tem que enfrentar.
As vezes está no olhar, um simples afagar,
de quem enfim, consegue lutar e se recuperar,
e ai vem a doce ilusão, mas que sustenta o coração, que no fim ele pode ser um pouco Deus e curar.
Quem sabe o mel está no poetar de alguém que rima ao falar?
Re: óssos do ofício.
Ana,
Adorei "Ossos do Ofício", a vida é mesmo feita de momentos diversos e nós, estamos sempre variando entre o bem e o mal... Tomara que possamos um dia dizer mais bem do que mal!
Parabéns! Bj ;-)