os cheiros das palavras
as palavras têm cheiros
que procuro assinalar
são bocados de flores
que encontro no sorriso
dum amor ao despertar;
são fumos que a chuva fria
quase que por magia
à terra vem arrancar;
são sinais de alegria
que não param de acenar
quando alguém está p’ra chegar
são gostos peculiares
por especiarias distantes
que em pequenos instantes
nos levam a navegar
galgamos em caravelas
as agitações do mar
as tormentas de poemas
temperados com pimentas;
são mostardas, açafrões
trazidos por marinheiros
de cantos aventureiros
à imagem de Camões
as minhas, quase inodoras
passam dias, passam horas
a tentarem-se alindar
usam perfumes da moda
aromas de pôr à roda
fragrâncias de aconchegar;
são metáforas singelas
que pinto com aguarelas
e uso para adoçar
as palavras que hoje tenho
tento usá-las com engenho
tento pô-las a bailar;
são bálsamos de poesia
com rastos de maresia
mas são só para cheirar
Nuno Guimarães
(www.minha-gaveta.blogspot.com)
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Comentarios
Re: os cheiros das palavras
NunoG,
Especiaria sem igual encontrei em tua poesia.
Este é um dos teus que mais gostei.
Abç
Cecilia Iacona
Re: os cheiros das palavras
BELEZA DE POEMA, GOSTEI NO TODO!
Mas destaco essa estrofe:
as palavras que hoje tenho
tento usá-las com engenho
tento pô-las a bailar;
são bálsamos de poesia
com rastos de maresia
mas são só para cheirar
Meus parabéns,
Marne