A vida rotineira de um “joanês”
De manhã ao levantar, pouco há para entreter
Uma beijoca à Laurinha e toca a despachar.
No seu carrito sentado a “TCF” escutar.
Sobe as escadas andando…
Morniing! Morniing!. Vai dizendo….
Na mesa de luz sentado,
Totoloto a conferir, vegetais para montar
Negativos, positivos, e pretos por retocar.
Aqui e ali, lá vai pintando…
Negrios! Negros! Vai dizendo…
De manhã não dispensando,
A frutinha matinal descasca a laranja e diz
No seu próprio “juanês”: Tô cuma fome que nâ vejo!
Aqui e ali, lá vai papendo…
Coisa poca, coisa poca, Vai dizendo…
Ao almoço temos sempre,
No famoso bacalhau, batatas, azeite e grelos
E a sua “merda das papas” para sempre acompanhar.
Sardinhas ou sopa lá vai papendo…
Miscaros, Miscaralhos, Vai dizendo…
Já cá estava a faltar, seguido da refeição,
Rapidamente os espirros, o café o bagaço
Tragam-me já o jornal e açúcar à discrição.
Cigarrilha esfumaçar, gente fina! Pois então…
Boa tarde, boas tardias, Vai dizendo…
Essa tosse que me mate e que dá caibe de mi,
Tenho q´uir à ti Delaide, a sogra do ti Rui.
Aconlicença, volto jaz que vou tratar duns assuntes!
Se alguém perguntar as couves plantar fui.
Inté, inté, Vai dizendo…
Quando o ti Rui o chama, pouco há a contar,
Esteja ele onde estiver ao seu patrão respeitar
A resposta é sempre a mesma,
Este ou àquele, lá vai respondendo:
Digue, digue, Vai dizendo…
De passeio a Coimbra, encomendas entregar,
As gajas para ver e bolinhos p´ra comprar.
Vou levar o telefónico, não me vá talvez “perder”
Apenas uma perguntinha em juanês a fazer:
Levo o lâncica? Levo o lâncica? Vai dizendo…
Às quatro horas em ponto, a sede começa a apertar
Super, Sagres ou Topásico, ao frigorífico vai buscar.
Na adega tem guardado as ditas d´encantar.
Com ou sem marca, lá vai bebendo…
Fresca, fresca, Vai dizendo…
Na montagem, chapas ou transporte,
A tarde passa por ele, com frases em juanês
Habituado a usar termos finos de Inglês!
Uma ou outra, lá vai entendendo…
Lucky, Luky, vai dizendo…
Cai a noite sobre o dia, preparando a retirada
Ao café vou snokar e beber uma rodada
Hoje não vou à fazenda, tenho a terra regada
Sai um fino sem espuma, senhora!
Tá bum? Tá bum… vai dizendo…
De volta a casa no seu Datsun azulinho
Sempre a abrir, sempre a rasgar
Nas horas do caraças no estreito do caminho.
Sai da frente ò paspalho, parvo, doido, maluquinho…
Cavalo, cavalo! Vai dizendo….
Vou deixar-vos “A vida rotineira de um Joanês” esperando que se divirtam a ler, tanto como eu me diverti a escrever.
Trabalhei durante alguns anos numa gráfica e antes de sair, decidi transpor para o papel expressões que me fariam recordar mais tarde aqueles profissionais, que são hoje grandes amigos.
Todas as palavras “mal escritas” eram usadas pelo João.
Ele trabalhava com fotografia, revelação e montagem, mas trocava o trabalho na empresa pela fazenda do Rui, o patrão.
Espero que gostem.
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Comentarios
Re: A vida rotineira de um “joanês”
Parabéns pelo belo poema.
Gostei.
Um abraço,
REF
Re: A vida rotineira de um “joanês”
LINDO TEXTO, GOSTEI PARA SAIR UM POUCO DA ROTINA, É BOM PARA SE DIVERTIR E SE DISTRAIR!
Meus parabéns,
Marne
Re: A vida rotineira de um “joanês”
Muito divertido...
Ficará para sempre na sua memórias estas frases caricatas! :-)
Beijinho...