Materializar
Escrevo um amor
Para que possa amar.
Escrevo um beijo, uma carícia qualquer.
Uma frase que não disseste,
Um gesto que não tiveste.
Escrevo-te a carne.
Escrevo-te o osso.
Escrevo-te os astros pelos quais te reges,
Escrevo-te crenças e convicções.
E porque não sou pintor, escrevo-te uma côr, seja ela qual for,
Para que te vistas a teu gosto.
Mas tudo isto ainda não chega para te amar.
Decido então escrever uma eventual infidelidade tua e pensar nela,
Escrevo-me um ciúme, um risco de te perder.
Escrevo uma discussão nossa, uma insegurança minha.
Escrevo não te ter.
Escrevo uma terceira pessoa para ter com quem desabafar
Acerca do que se passa connosco.
E como não sou músico escrevo uma música que me lembre de ti,
um odor, um lugar.
Escrevo-me a dôr e já te amo porque me dói.
Mas será que me dói únicamente por te amar!?
De onde veio isto?
Decido então escrever, não ser isto o que quero para mim.
Dizer-te que acabou. Que o meu amor chegou ao fim.
Não escrevo lágrima alguma em teu rosto, seria fogo posto
Pois lembro-me de Camões enquanto partes apressadamente escrita por mim,
Para nunca mais te ler.
Para nunca mais te ter.
Amei-te!?....Talvez...
A poesia, tal como o amor, sustenta a dúvida...
em cada palavra...em cada "Amo-te".
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 2729 reads
Add comment
other contents of admin
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/General | Último poema | 1 | 2.982 | 03/02/2010 - 19:57 | Portuguese | |
| Poesia/General | Cravejaram a verdade de balas | 3 | 964 | 03/02/2010 - 19:11 | Portuguese | |
| Poesia/General | Diz-te | 1 | 3.035 | 03/02/2010 - 18:10 | Portuguese | |
| Poesia/General | Hoje é um bom dia para te dizer | 6 | 3.660 | 03/02/2010 - 16:56 | Portuguese | |
| Poesia/General | Pinto poemas e escrevo telas | 2 | 4.007 | 03/02/2010 - 16:47 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | ESPERE! | 3 | 3.351 | 03/02/2010 - 07:49 | Portuguese | |
| Poesia/General | Ás vezes as vezes repetidas das coisas | 1 | 3.765 | 03/02/2010 - 04:19 | Portuguese | |
| Poesia/General | Sou um vaidoso que se inspira nele próprio | 1 | 3.738 | 03/02/2010 - 04:14 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Dedico este poema à Sophie_G | 2 | 2.636 | 03/02/2010 - 04:12 | Portuguese | |
| Poesia/General | Procuro um lábio para ancorar o meu beijo | 2 | 4.593 | 03/02/2010 - 04:08 | Portuguese | |
| Poesia/General | Vinte e uma perguntas a um cego e uma resposta a quem vê | 7 | 7.165 | 03/02/2010 - 04:00 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | QUANDO TIVERES QUE ME DIZER ADEUS | 4 | 3.855 | 03/02/2010 - 04:00 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | ABRIR O JOGO | 2 | 2.448 | 03/02/2010 - 03:21 | Portuguese | |
| Poesia/Comedia | CARA CHATO | 2 | 4.031 | 03/02/2010 - 03:18 | Portuguese | |
| Poesia/General | Saudades Uterinas | 6 | 3.030 | 03/01/2010 - 23:17 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | DEDICATÓRIA | 4 | 2.707 | 03/01/2010 - 22:27 | Portuguese | |
| Poesia/General | Há um texto escondido que ainda não foi escrito | 2 | 5.910 | 03/01/2010 - 22:22 | Portuguese | |
| Poesia/General | A tristeza matou os peixes que nadavam nos teus olhos | 2 | 4.997 | 03/01/2010 - 22:08 | Portuguese | |
| Poesia/General | Nem | 1 | 4.840 | 03/01/2010 - 21:59 | Portuguese | |
| Poesia/General | Balada de um amor só | 3 | 4.033 | 03/01/2010 - 21:53 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Modinha para a Beatriz | 3 | 3.467 | 03/01/2010 - 21:51 | Portuguese | |
| Poesia/General | A minha morada é a palavra | 1 | 8.064 | 03/01/2010 - 21:51 | Portuguese | |
| Poesia/General | O poema quase um sustento | 2 | 4.246 | 03/01/2010 - 21:50 | Portuguese | |
| Poesia/Desilusión | Poema maldito | 3 | 6.373 | 03/01/2010 - 21:45 | Portuguese | |
| Poesia/General | Porque me roem as térmitas os dedos | 6 | 3.270 | 03/01/2010 - 21:44 | Portuguese |






Comentarios
Re: Materializar
Não escrevo lágrima alguma em teu rosto, seria fogo posto..
Em fogo me deflagro em aplausos!!!
:-)
Re: Materializar
LINDO SEU POEMA, GOSTEI!
O REMÉDIO PARA MUITAS COISAS, PARA MUITOS SONHOS DE AMOR, PARA MUITOS MALES, É A BENDITA PENA, QUE NOS PÕE A ESCREVER, PARA O BEM DA POESIA, QUE TEM O PODER DE PARA A BELEZA TUDO CONVERTER!
Meus parabéns,
Marne