uma velha bordava
Uma velha bordava
e o comboio passajava na linha
amanhã há galinha e há canja
e mesmo com fome a gente se arranja.
Um homem dormia
dentro de uma gruta
e outro dizia
que boa era a fruta.
uma velha bordava
e o comboio passajava na linha
caldo de galinha
puré de açafrão
o homem da gruta dormia no chão
e outro sonhava que boa era a fruta.
uma velha qualquer
dizia vaidosa
que já fora mulher formosa
uma velha bordava
lenços de assoar
e o comboio passajava
na linha do litoral
e vi alguém a cantar
trovas confusas
era o rio com o mar
dançando á chuva.
Lobo
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Miércoles, Junio 9, 2010 - 11:49
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Comentarios
Re: uma velha bordava
Lobo, curioso nome...
uma velha tão velha quanto a própria vida, digo eu!
Abraço
albertos
Re: uma velha bordava
Se soubesse escrever com todo o encanto como tu descreves a miséria que poucos vêem, talvez to diria com ricas e fartas palavras e assim se perderia.
Demoraria uma eternidade para desencantar palavras gastas e que nada interessaria. E o pobre que passa na linha do litoral, com a mesma fome ficaria!
Beijinho poeta
Carla
Re: uma velha bordava
E a tristeza e a miséria vestem-se de poesia de forma sublime e lavam-nos em lágrimas cândidas q escorrem da sensibilidade do poeta...
Gostei muito de o ler, Lobo
beijinho em si
Inês Dunas