Contentamento

Perdido no meio da livraria já não encontro nada para ler
Em folha branca não tenho nada para escrever

Não há nada que já não tenha sido dito
E saber mais para quê se não aplico aquilo que sei

Continuo nos meus caminhos já percorridos
As estradas que repito de cor
Mudar?
Para quê
Estou acostumado ao meu quinhão de felicidade
Já fui menos feliz, agora sou mais por puro contentamento
O contentamento cómodo de quem habitua-se a não pedir mais do que lhe é dado

Sonhar?
Já não sonho!
O sonho é ilusão e a ilusão é responsável por toda desilusão
Não há desilusão em quem não se ilude

Carrego-me para cá, carrego-me para lá
Cumpro com o meu papel nesta sociedade ficcional
E rio-me daqueles que se julgam protagonistas das suas vidas
Ninguém é!
Somos uma massa maleável a moldar-se a todos os instantes pelo nosso meio
Ao mesmo tempo que também tentamos moldar o meio

Ah se eu voltasse ao passado
Se eu voltasse ao passado seria a mesma coisa
Da mesma maneira que o futuro vai ser igual mesmo que o futuro venha dizer-me algo
Como me diz sempre que minha consciência condena-me

Não vejo fórmulas mágicas de ser melhor do que aquilo que sou
Mais feliz que sou
Mais sábio que sou
Contento-me então
Com aquilo que sou

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Jueves, Junio 24, 2010 - 16:26

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Veiga

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Re: Contentamento

Veiga...gostei muito do quê lí, meu caro!
Meus sinceros parabéns!!!

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Re: Contentamento

Lindo poema meditação pontuado de verdades, bordado de sabedoria.
Na tua natural musicalidade de versos livres que sempre encanta.
Beijo caro amigo.
Carrego esta tua verdade comigo.
Somos o que somos nada mais, as vezes ação, a vezes apenas olhos perdidos no cais da emoção,
as vezes, sim as vezes não,
as vezes calmaria,
as vezes emoção...
somos o que somos,
adianta revoltar-se, ou não?
A sabedoria encerra-se na palavra: Resignação.
Favoritos.

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