Simbolismo

Papoula, bela flor que me deflora
no teu beijo, sem ensejo, a alma chora
Bela flor, exangue, a dor acalenta
morte triste, em suor, vaticina lenta.

Papoula, teu beijo quero a qualquer hora
pinto com sangue os sanitários, mundo à fora
pantera negra, sensual, que alucina
na tua fome, não sou homem, sou só sina.

Maldita sacerdotisa de negro Morfeu
Papoula, que hipnotisa, que devora
Que digo eu? triste Orfeu, apenas teu...

Maldita pitonisa, meu desatino em ti ancora
Digo não, ao destino de triste Prometeu
Rompo o mundo, largo o cáucaso, vomito-te fora.

O simbolismo é difícil, pois ao ler os simbolistas uma magia lúgubre envolve a alma, muito embora a musicalidade encante. Escolhi o mote da papoula, pois historicamente o simbolismo foi regado pelo ópio, sendo referido em vários poemas de Boudelair e Arthur Rimbaud, por exemplo. Tendo também, por contemporaneidade, Fernando Pessoa tido suas incursões simbolistas, pré- modernismo.
Espero ter conseguido. A diladeração da alma na alucinação da viagem sobre o "Eu" é algo que marcou-me ao lê-los.
Aconselho Flores do Mal Baoudelair, fantástico,"Eu" de Augusto dos Anjos ( há de se estar preparado para este...), e todo o fantástico Mário de Sá Carneiro que tem uma marca simbolista forte em seus escritos.

Ana Lyra.

Simbolismo.

O Simbolismo é uma tendência literária, da poesia e outras artes que surgiu na França, no final do século XIX, como oposição ao Realismo, ao Naturalismo e ao Positivismo da época.
Histórico e características

A partir de 1881, na França, poetas, pintores, dramaturgos e escritores em geral, influenciados pelo misticismo advindo do grande intercâmbio com as artes, pensamento e religiões orientais - procuram refletir em suas produções a atmosfera presente nas viagens a que se dedicavam.
Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de "decadentismo" - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes e a uma certa afetação que neles deixava a sua marca. Em1886 um manifesto traz a denominação que viria marcar definitivamente os adeptos desta corrente: simbolismo.
[editar]Principais características
Subjetivismo
Os simbolistas terão maior interesse pelo particular e individual do que pela visão mais geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e sim está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do "eu", buscam o inconsciente, o sonho.
Musicalidade
A musicalidade é uma das características mais destacadas da estética simbolista, segundo o ensinamento de um dos mestres do simbolismo francês, Paul Verlaine, que em seu poema "Art Poétique", afirma: "De la musique avant toute chose..." (" A música acima de tudo...") Para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como por exemplo a aliteração, que consiste na repetição sistemática de um mesmo fonema consonantal, e a assonância, caracterizada pela repetição de fonemas vocálicos.
Transcendentalismo
Um dos princípios básicos dos simbolistas era sugerir através das palavras sem nomear objetivamente os elementos da realidade. Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do genêro, transmite a idéia de uma Obsessão pelo branco (uma característica não tão importante do simbolismo) como podemos observar no poema de Cruz e Sousa:
"Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras..." [...]
Dado esse poema de Cruz e Sousa, percebe-se claramente uma obsessão pelo branco, sendo relatado com grande constância no simbolismo.
[editar]Literatura do simbolismo

Os temas são místicos, espirituais, ocultos. Abusa-se da sinestesia, sensação produzida pela interpenetração de órgãos sensoriais: "cheiro doce" ou "grito vermelho", das aliterações (repetição de letras ou sílabas numa mesma oração: "Na messe que estremece") e das assonâncias, repetição fônica das vogais: repetição da vogal "e" no mesmo exemplo de aliteração, tornando os textos poéticos simbolistas profundamente musicais.
O Simbolismo em Portugal liga-se às atividades das revistas Os Insubmissos e Boêmia Nova, fundadas por estudantes de Coimbra, entre eles Eugênio de Castro, que ao publicar um volume de versos intitulado Oaristos, instaurou essa nova estética em Portugal. Contudo, o consolidador estará, a esse tempo, residindo verdadeiramente no Oriente - trata-se do poeta Camilo Pessanha, venerado pelos jovens poetas que irão constituir a chamada Geração Orpheu.O movimento simbolista durou aproximadamente até 1915, altura em que se iniciou o Modernismo.
[editar]Escritores simbolistas
Pode-se dizer que o precursor do movimento, na França, foi o poeta francês Charles Baudelaire com "As Flores do Mal", ainda em 1857.
Mas só em 1881 a nova manifestação é rotulada, com o nome decadentismo, substituído por Simbolismo em manifesto publicado em 1886. Espalhando-se pela Europa, é na França, porém, que tem seus expoentes, como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé.
[editar]Portugal
Os nomes de maior destaque no Simbolismo português são: Camilo Pessanha, António Nobre, Eugénio de Castro e Cesário Verde
[editar]Brasil
No Brasil, dois grandes poetas destacaram-se dentro do movimento simbolista: Cruz e Sousa ,Augusto dos Anjos (sobretudo) e por fim Alphonsus de Guimaraens. No primeiro, a angústia de sua condição, reflete-se no comentário de Manuel Bandeira: "Não há (na literatura brasileira) gritos mais dilacerantes, suspiros mais profundos do que os seus".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Simbolismo

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Viernes, Junio 25, 2010 - 13:31

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analyra

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Re: Simbolismo

à tentativa vã, aproveitar o ensejo e expurgar o mal, para que a terra volte novamente a ser fértil.

muito belo

abraço

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Re: Simbolismo

As vezes mesmo conspurcada, após arada, a terra é fértil, porém as flores do mal, podem continuar com seu caule erétil. Há de se vigiar para o mal não retroceder,
há de as vezes apenas olhar a papoula florescer, e assim ser bela, por ser intocada e terna.
Grata pelo comentário.

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Re: Simbolismo

Li e reli. E conseguiu uma beleza perceptível e
sensorial. Parabéns! beijo

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