O sigilo de um amor

O sigilo de um amor

Muito tempo se passou...
Foram horas, semanas, meses e anos...Acomodadamente um após o outro.
Quando se ama nem se vê o tempo passar.
Você tinha mais cabelo. Eu tinha mais viço.
Mas tínhamos os mesmos sonhos. Não as mesmas necessidades.
Um caminho foi trilhado a força. Mãos que se entrelaçaram para seguir uma só estrada.
E o desgaste foi lento, quase imperceptível. Uma erosão que danifica rochas ao longo de anos.
Lágrimas soltas na solidão do meu quarto. Lágrimas unidas na penumbra de um quarto de hotel qualquer.
Risos...Foram muitos risos. Muitos planos, muito prazer, muita cumplicidade, muito desespero, muito tudo.
Houve também um doloroso adeus. Com ele, noites de insônia, ligações perdidas, raiva e falta de apetite. Apetite de vida.
Mas houve o retorno. E com ele mil abraços, beijos sedentos, juras de amor. Alegria, muita alegria.
Mas a tempestade não cede. As tormentas são constantes, e a rocha castigada vai se fragmentando.
A vida dividida, a distância, toda a proibição. O segredo nos afasta.
E vejo você tão longe. E me vejo tão abandonada. E os planos arquivados na gaveta da inconstância.
E a teimosia persiste. Buscamos nossas faces em noites longas. Sentimos as agulhas da saudade e a dor do que não nos é permitido.
Pagamos o preço de um amor que não deveria ter sido. E que não morre. Nem agoniza.
De beijos roubados. De olhares atentos. Códigos e acenos, gestos que falam em público.
O que fizemos de nós?
O que é este elo que não se rompe? Nem a quilômetros de incertezas, nem a milhas de silêncio?
O que é agonia de querer, de vigília, esta dependência que não se liberta?
O que será de mim, de você, dos risos e lágrimas?
Será eterna esta angustia e tantos desencontros?
Se vou não estás, se vem, já me fui...Se resolvo te vejo acuado, se decides encontra meu medo...
Quanto tempo faz?
Nós nos perdemos na jornada...Em algum dos furacões, das correntezas que nos arrastaram a lados opostos. E mesmo assim, continuamos a mesma busca incessante.
Não há descanso. Nem para nossos olhos, nem para nossos corpos inebriados de desejo, nem para nosso coração tão ferido...
Parece que foi ontem...Mas você hoje tem menos cabelo, e meu amor ainda é maior.
Meu viço está opaco, mas me vê como adolescente.
O que é isso que nem explicação tem? Tanto tempo separados e ainda interligados, ansiosos, na espera incansável...O que esperamos?
Nos perdemos na jornada...O que aguardamos no futuro?
Enquanto meus dedos batem no teclado este poema que meu coração dita, você fala tudo que quero ouvir nas canções que emocionam seu público...Mal sabem eles...
Que nossa história contraditória se exprimem na voz maravilhosa que ecoa...Nas teclas cansadas de um teclado mudo...

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Sábado, Julio 10, 2010 - 03:06

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Gisa

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Re: O sigilo de um amor

Mas a tempestade não cede. As tormentas são constantes, e a rocha castigada vai se fragmentando.

Todo ele belo, triste,real ao nossos sonhos...
Amei, como sempre amo sua escrita...

bjs querida.

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Re: O sigilo de um amor

"Buscamos nossas faces em noites longas. Sentimos as agulhas da saudade e a dor do que não nos é permitido.
Pagamos o preço de um amor que não deveria ter sido."

Esta parte esta perturbadoramente bonita minha querida Gisa... O amor tem razões q a razão não compreende, de facto...
Beijinho em ti
Inês

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