SÃO COISAS DO AMOR

SÃO COISAS DO AMOR
Já passaram tantos ventos, mal me lembro
Apenas guardo das paisagens o sabor
E me diluo em todo o tempo, me desvendo
Mesmo sabendo que não sei, eu não entendo
Que leviandade doida é esta do amor?
Sinto um tremor cruel no freio da nudez
Desfaço-me em farrapos, rasgo a batina
No pranto dos olhos grandes cai a surdez
Do homem que amou (não foi talvez)
O que a vida lhe negou
Mais que uma vez.
E hoje sei que nada sou, mas mesmo sendo
Não seria o grande peso das balanças,
É de retalhos o viver em que me emendo
Mesmo sabendo que não sei, eu não entendo
Porque damos ao amor falsas esperanças.
Porem
É nos teus olhos que nasce a madrugada
E nos teus lábios corre a fonte de cetim
Os teus cabelos são o vento e a orvalhada
Povoando o nada
Que mora em mim.
E o tempo pára, não entendo nem me importo
Quando me embalas e me inundas de inocência
Me torno vida nos contornos do teu corpo
E encontro meu amor,
Minha existência
Regensburg
06-07-2010
Beija-flor
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Comentarios
Re: SÃO COISAS DO AMOR
É nos teus olhos que nasce a madrugada
E nos teus lábios corre a fonte de cetim...
Belo poema e bem acompanhado!!!
:-)