Enquanto o carnaval não vem

Enquanto o carnaval não vem
imposssível despir as máscaras,
colar o ventre no asfalto
e esperar, de sobressalto,
o clímax do espetáculo.
Enquanto o carnaval não vem
sou um espectro da felicidade
crua e malsã que desce dos morros.
Enquanto o carnaval não vem,
coloco-me, trêmula, no abre-alas;
abre-caminhos; abre-liras; abre-asas
e vôo, enquanto o carnaval não vem.
Descolo purpurinas velhas
em fantasias de andrajos
que agora, cintilam em outros corpos
desejos antigos e corrompidos.
Colombina etérea de sonhos vãos
atiro-me em queda livre,
enquanto o carnaval não vem.
Carrego estandartes,
enquanto o carnaval não vem
e a morte é interregno no tempo.
Parafraseando alegorias,
tento compor um enredo
que não seja póstumo.
Enquanto o carnaval não vem
e o meu soluço é retido,
na batida firme dos surdos
ou no chacoalhar dos guizos,
danço, acompanhando o ritmo;
idealizo um desfile lúdico
e desafino, vendo a escola passar.
Enquanto o carnaval não vem
não há memória de alegria. (Ana Patricia Maximo)

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Martes, Agosto 17, 2010 - 21:14

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ANAMAXIMO

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Comentarios

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Re: Enquanto o carnaval não vem

E muita coisa pode acontecer....
Gostei!!!

Beijo

Varenka

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Re: Enquanto o carnaval não vem

Obrigada Varenka!
Beijos,

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