Voz Fria

Não mostraste nada, antes pelo contrario, mostraste tudo ao nada sentir na tua voz, não contentaste-te com minha chamada, como habituado estava a ouvir entre tua variação de tom, na musica de quem fala, quando de amor se fala, com amor e com seu amor, desta vez não mostras-te nada, ou tudo em nada demonstrar, tua voz era fria, gélida, gélida como a de um cobrador que cobra uma divida e não recebe comissão se a receber, não demonstraste nada, ou tudo ao nada demonstrar, fingi-me enganado, fingi que não entendia o que tua voz dizia, ou melhor, o que não dizia pelas palavras caladas no monocórdico soar da tua voz, de palavras pronunciadas sem qualquer sentimento como criadas por um computador, palavras certas, certeiramente certas e correctas para se falar mas eu preferiria o ódio, a raiva ou coisa qualquer que não fosse esse nada, esse nada que castra-me, esse nada que tira o sentimento do amor como a tesão de um homem ao ver a mulher de pernas abertas deitada a olhar para as unhas, enfadada a fazer-lhe o jeito a espera que despache-se rápido e se venha, matas parte de mim com esse nada, matas a vontade e o desejo de te ver, e vou ver-te como a mulher casada, que abre as pernas para o marido, olha as unhas enquanto ele desfruta seu corpo, enfadada, mas vai lhe fazendo o jeito a espera que ele rápido de venha, é a única maneira que consigo te esperar naquela mesma estação, aquela que já esteve carregada de emoções, carregada de expectativas e agora, agora não tem nada, tem um corpo cansado da viagem, um abraço sem calor, um beijo por obrigação, um jantar para alimentar, um ir para cama para dormir e um relógio para despertar… um pedaço de adeus estava na tua voz, e vou a espera desse nada ou desse tudo que demonstraste ao nada demonstrar.

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Miércoles, Mayo 21, 2008 - 15:19

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Texto bem escrito em dom da palavra!

:-)

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