Sob o Sol do Teu Peito

Tenho um fascínio pelas ideias recorrentes, pelos olhares extasiados, pelas pessoas, pelo AMOR, mas há em mim uma terrível teimosia sempre que me apetece existir sem existir, criar assim uma espécie de protecção, um arco à minha volta, como se fosse um escudo, onde a luz incidisse e eu ficasse ali até que meus olhos conseguissem decifrar o que querem de mim. Há dias que dou comigo a incidir sobre um círculo fechado. É lá que vejo sombras, vultos, que mais parecem formigas à procura de mel para adocicar os mantimentos no inverno.

Eu e este amor ausente, deixa-me num estado amnésico, sempre que penso em amar sem conseguir transpor os muros que se erguem à tua passagem. Porém e sem grandes lamentações, aquele que procuro anda distante, mas tento a todo o custo, encontrá-lo neste caminho longo onde os desequilíbrios se formam em esferas toscas e mal amanhadas. Quisera eu poder conservá-lo e dizer-lhe para o que vim, saciá-lo neste pomar que se alonga sempre que há um novo fruto e uma nova colheita. Maldigo os louvores que delimitam o silêncio da minha voz, mas a minha alma é sempre um cântico a acordar no seu corpo e os nossos sorrisos são gestos cristalizados na nossa boca.

Diz-me quando irás chegar e eu farei do meu corpo estrada aberta de par em par. Fala-me de ti e das ameaças nas noites em que preferes o silêncio do meu corpo, que te direi da morte que espreita em cada poro e em cada inspiração. Mau grado, é a contingência do mundo que anseia por todos os gestos caricaturados, sempre que ouvem um cântico novo a florir nos meus seios. Foi lá que te encontrei, deitado, olhando o céu e esbracejei pelos medos a que me expus quando te vi chegar Na intimidade, sou a fuga que sempre me apraz ser. Não te quero em mim, suado, mal amado, engalfinhado no meu corpo e saciado do sangue que me escorre nas veias. Quero-te em mim, sempre que os meus olhos se abrirem e te encontrarem neste amontoado de células vivas, que à incidência da luz, é ramificação incandescente. Sou-te na mais ínfima partícula que se espelha nos meus lábios. Percorrem-te essa inquietude, reduzem-te à míngua os toques que me seduzem neste leito amarelecido sob o sol do teu peito. Ofuscas-me por dentro, consegues atordoar-me os sentidos e eu fico deitada, abro-me a ti e anseio pelo suco que te escorre dos lábios. É da cor do manto dourado, que trazias sempre que espreitavas nas manhãs de primavera. São elas um caminhar contra o tempo que me prende nesta seara encantada, onde dormitas ao som da voz do meu silêncio…

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Martes, Noviembre 17, 2009 - 12:54

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Re: Sob o Sol do Teu Peito

ÔNIX ;
Como gosto de te lêr.
E que texto tão sentido, tão profundo.
Uma verdadeira parte de ti.
Muito, muito bom

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Re: Sob o Sol do Teu PeitoP/Mefistus

Que bom que é receber os teus carinhos

Obrigada

Bjs

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