CANÇONETAS III

3

A Rosa

Tu, flôr de Venus,
Córada Rosa,
Leda, fragrante,
Pura, mimosa;

Tu, que envergonhas
As outras flôres,
Tens menos graça,
Que os meus amores.

Tanto ao diurno
Sol coruscante
Cede a nocturna
Lua inconstante;

Quanto a Marilia
Té na pureza
Tu, que és o mimo
Da Natureza.

O buliçoso,
Candido Amor
Poz-lhe nas faces
Mais viva côr;

Tu tens agudos,
Crueis espinhos,
Ella suaves,
Brandos carinhos;

Tu não percebes
Ternos desejos,
Em vão Favonio
Te dá mil beijos:

Marilia bella
Sente, respira,
Meus doces versos
Ouve, e suspira.

A mãe das flôres,
A Primavera
Fica vaidosa,
Quando te gera:

Porém Marília
No mago riso
Traz as delicias
Do paraiso.

Amor que diga
Qual é mais bella,
Qual é mais pura,
Se tu, ou ella;

Que diga Venus. . .
Ella ahi vem . . .
Ai! Enganei-me,
Que é o meu bem.

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Domingo, Septiembre 20, 2009 - 22:47

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