GLOSAS II

2

Se amor vive além da morte,
Constancia eterna hei de ter ;
Se amor dura só na vida,
Hei de amar-te até morrer.

GLOSA

Fui onde o sabio Fatino,
Vate pelos annos curvo,
Rompe o véo tapado e turvo,
Que envolve as leis do Destino:
Entro a gruta, a fronte inclino,
E exclamo em vivo transporte:
«Oh tu, que falias co'a Sorte,
Eia, dize ao mais constante,
Ao mais abrazado amante
«Se amor vive além da morte.»

Analia, deusa na face,
Deusa até no coração,
Temeu que a minha paixão
Como as outras desmaiasse:
Para que o meu bem deixasse
De vacillar, de gemer,
Abalancei-me a dizer:
— «Despe, amada, um vão temor,
Que por milagre de Amor
«Constancia cterna hei de ter.»

«Talvez foi voto indiscreto...»
Proseguia; eis meneando
O gran velho venerando
Tres vezes seu grave aspecto:
«Que não ousa um louco affecto!
(Me diz com voz desabrida)
Alma insana, alma atrevida,
Ha quem confie, ha quem jure,
Que amor entre cinzas dure,
«Se amor dura só na vida!»

«Doudo amante hallucinado,
Como ha de a paixão, como ha de
Ir alterar a egualdade
Que aos entes impoz o Fado ?
Não ha permanente estado,
O Nada provém do Ser;
Torna, vae-te desdizer,
E faze o teu voto assim:
«Mais poder não cabe em mim,
«Hei-de amar-te até morrer.»

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Lunes, Septiembre 21, 2009 - 00:48

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