APÓLOGOS XXII

22

O elephante e o burro

No tempo em que inda fallavam
Os animaes como a gente,
É tradição que tiveram
Conferencia em caso urgente.

O burro, que não sei como
Se introduziu no conselho,
Quiz, fingindo-se estadista,
Tambem metter seu bedelho.

Eis n'um tom, que difteria
Bem pouco do que hoje é zurro,
Foi revolvendo a questão,
Discreteou como um burro.

Depois de lhe ter ouvido
Alguns conceitos de arromba,
O carrancudo elephante
Lhe disse, torcendo a tromba;

«Esse tempo, que tens gasto
Inutilmente em clamar,
Insensato, não podias
Aproveital-o em pastar?

«Vens affectar eloquencia,
Animal servil, e abjecto!
Um tolo nunca é mais tolo
Que quando quer ser discreto.»

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Domingo, Octubre 11, 2009 - 16:52

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