APÓLOGOS XXV

25

A macaca

Nos serros do Brazil diz certo auctor que havia
Uma namoradeira, uma sagaz bugia.
Milhões de chichisbéos pela taful guinchavam,
E por não terem aza o rabo lhe arrastavam.
Qual, caindo-lhe aos pés, de amores cego e louco
Nas cabelludas mãos lhe apresentava um côco;
Qual do assucar brilhante a summarenta canna,
E qual um ananaz, e qual uma banana.
Ella com riso astuto, ella com mil caretas
Lhe entretinha a paixão, lhe ia dourando as petas;
Os olhos requebrava ao som de um suspirinho:
A todos promettia o mais fiel carinho,
E se algum lhe rogava especial favor
A' terna petição dizia: «Sim, senhor:»
Mas com muita esperança o fructo era nenhum,
E os pobres animaes ficavam em jejum.
Leitores, ha mulher tão déstra, e tão velhaca,
Que n'isto lhe não ganha inda a melhor macaca.

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Domingo, Octubre 11, 2009 - 16:56

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