A VINGANÇA

Ágeis como feras
da necessidade a astúcia
velho tomba na calçada

vítima incrédula
62 anos calvície acentuada
óculos partidos chapéu ao lado

monte impotente estarrecido
cônscio da fragilidade perigo
da impossibilidade de defesa

corpo desajeitado deprimente
decúbito dorsal e estendido
coração em síncope iminente

feito bêbedo qualquer
filetes rubros nas narinas
face e camisa azul manchadas

em suspense esperava o saque
uns poucos reais na carteira
a foto da neta o velho relógio

Nada restava a fazer
feito fantoche inativo
à vontade dos algozes

não concatenava os fatos
audição falhava indistinta
imundícies da via pública

Jovens no máximo três
falas lacônicas rápidas
gírias grosseiras cifradas

em crise mergulhado
julgamento insano
na espera imprevista

desejou morrer
se reteve assustado
reflexões da vida fausta

Inerte infeliz animal acuado
mãos lhe apalpando o corpo
virando bolsos intimidades

Não reteve as lágrimas
mescladas à poeira e suor
garganta seca saliva grossa

Num ato conjunto
o viraram de frente
opróbrio estampado

cara-a-cara
meninos meliantes
donos de sua sorte

existência fragmentada minutos
reflexão lúcida o orgulho ferido
final dos deserdados sem chances

garotos personagens párias sociais
vivos protagonistas dramas lidos
manchetes nos jornais matutinos

leitura saboreada com o café matinal
aconchego do lar imune ao submundo
desprezos e ditos jocosos à ralé miúda

derradeiro juízo pavor
a sangrar como suíno
na lâmina do canivete

grito seco suplicante piedade
.desventura desmessurada
envergonhado clamou perdão

as faces mutiladas
infâncias abortadas
os sonhos desfeitos

arrogâncias endossadas
entranhas da consciência
casta renegada vil e cega

escárnios ao desgraçado
o líquido acre e fétido
urina arde nas escoriações

o revide e o pagamento
dramas lidos prazeirosos
folgosas manhãs saboreados...

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Martes, Diciembre 15, 2009 - 14:17

Ministério da Poesia :

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