Distração deprimente

Em vez de chorar o tempo que foi, seria mais recomendável alegrar-se pelo que virá.
Mas, o depressivo não enxerga o tempo como solução duradoura.
O depressivo finge que é alegre pra não acharem que é louco.

A distração do coitado é achar-se feliz no futuro.
O depressivo costuma cantar músicas num tom bem aceitável
talvez porque saiba que é bom quando quer,
se distrai ouvindo antiguidades sonoras.

Outra forma de passatempo é a escrita. E essa varia muito conforme o momento do abatido.
Tem vez que se percebe nele um certo Cervantes...
O doido fica falando só, com a paranóia de estar falando para alguém diferente.

O fraco doente depressivo também se alegra.
É no instante que resolve aparecer e estragar ainda mais sua imagem riscada.
Alguns o chamam de retardado pelas costas.

A depressão que assola o humano imperfeito o trancafia em seus medos.
Já o depressivo constatado se sente corajoso pra expor seus defeitos à longa distância.
Tem confiança em seus conhecimentos e não erra de perto.

Em outras oportunidades, o babaca deprimente dança escondido
ritmos que variam da valsa ao tecnnomaneiro, cheios de passos e olhares.
O acabado se vê no espelho e tudo que nota são defeitos.

Se distrai também se distraindo sem se distrair.
O inútil se diz prejudicado pelo sistema de escolha.
Ninguém o quer como um amigo, todos o querem como irmão... E isso não esclarece a intenção alheia...
Podem, por exemplo, usá-lo como isca para namoros vindouros...

Quando a distração se torna repetitiva, o quadro se agrava:
O incapaz deixa de transmitir emoções;
xinga em voz mental e maltrata os familiares;
ri de qualquer desgraça;
acredita possuir dentro de si um amor tão imenso, que não há ser capaz de dividí-lo.

O ignorado doente depressivo resolve então viver numa distração chamada: felicidade montada.
Depois,deixa sua mente agir num texto bem característico.
É melhor que ser normal, num mundo de enfermidades.
Distração concedida...E concebida na vazão do tempo pouco melhorado.

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Domingo, Enero 10, 2010 - 14:17

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