poeira temporal

fotografo momentos com os olhos
que se imprimem na alma, câmara escura
com uma precisão sempre tão dura,
tolhendo-me os sentidos hesitantes.
são instantes que duram um segundo
tão longo como esta eternidade
perdida na contagem da idade
que torna o pensamento infecundo

são rolos de película a granel
cobertos por poeira temporal
que sopro espalhando em papel,
palavras de valor residual
riscadas em desenho duma vida

envolvido por luz enfraquecida
escrevo um poema casual
buscando a razão condicional
para retardar a despedida

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Miércoles, Enero 13, 2010 - 00:27

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NunoG

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