Amor? Apenas um curto suspiro...

Que saudades daquela mulher, outrora... amante delicada de
enorme aforismo feminil... Presença indulgente que a mim
difundia-se, distorcendo docemente minha percepção da
realidade... guiando-me a uma terra irreal, lugar esse de onde
ansiamos por chegar e não partir, leito de amantes, génese de
fantasias onde pairas sob um sono dormente de êxtase, onde toda
a alma se envaidece, onde minha alma se prende à sua presença
tendo a doce convicção de que me ama.

Saudade... de quando os seus dedos com a minha pele falavam,
seu toque não em minha pele, mas em meu coração. O toque de
sua mão, que atravessava a minha carne e brincava com a minha
alma. Aquela irresistível atracção existente entre meus braços e
sua silhueta, que me transpunha em maravilhosa tormenta em seu
mundo, onde apenas existíamos nós... amantes... e tudo o resto
não importava, não existia...

Seus olhos, hoje vazios, opacos, desprovidos de emoção, outrora
aquando em meus tocavam, cantos muitos sussurravam,
estremecendo minha essência, irradiando uma eternidade inteira
de incontrolável sede de viver. Olhos, esses que aprisionaram
minha alma, alma não pura, bem fétida aliás, mas virgem e
esperançosa de seu amor encontrar.

Em minha metade se tornou, em meu lado do coração se fundiu...
quando se desvaneceu, uma perna me cortou, um braço me
arrancou, nem bengala me deixou. Levou-me a metade do coração e junto minha existência, como poderei alguma vez mais
sentir o meu coração bater... se ela mo levou?

Serei egoísta? Em ter saudades e querer regressar, parar o tempo
e por lá ficar, no limbo entre carnes, toques, gemidos, suspiros,
arrepios, nos seus braços enlaçado por uma eternidade...

Tão arrogante, estúpido e sei lá mais o quê, em ter alguma vez
sequer pensado em que ela seria minha.

Mas quem sou eu para o exigir? Para exigir dela seja o que for?
Apenas me resta, calcar o estômago para baixo e segurar esta
digestão de suspiros. Devo de me ter tornado rude, gasto, seco
e... estou velho e cansado... despeço-me agora... do meu amor há
já muito levado, não sei por quem, não sei para onde... pois o
caminho, a porta daquele lugar... eu não encontro mais... adeus.

Adeus amor...

Pedro Martins

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Miércoles, Abril 14, 2010 - 15:29

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