Quem sou eu?

Houve um tempo em que sonhava, tinha esperança, acreditava, percorria caminhos sem cansaço, comia – almoçava, jantava – batia às portas mais fechadas e pesadas, dormia nos bancos do comboio do meio da velha estação de S. Pedro, ao som da música (quantas vezes imaginada), fumava, ria, cantava, delirava...

Houve um tempo em que o fascínio de viver me empurrava, levava, encaminhava, e eu julgava que sabia para onde ia, apenas porque tinha companhia.

Houve um tempo em que o Sol brilhava, uma brasa suave na pele e, de noite, a água do mar, salgada, espumava quente nos banhos nocturnos. E eu flutuava, nadava.

Houve um tempo em que o mistério da noite, cruzava espadas com as luzes da marginal e do paredão que circundava a praia.

Houve um tempo em que pensava ser senhor do destino, moldando o futuro. E a liberdade, a essencial liberdade que fluía pelos poros...

Houve um tempo em que me convenci que sabia quem sou.

Hoje, morto o sonho, o fascínio, apenas pesado, cansado, preciso de ti, sei que és tu que me levas e não sei para onde vou.
 

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Lunes, Diciembre 20, 2010 - 12:30

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Loner

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Passado e Presente

Gosto muito da descrição dos vários estados de espirito, das acções.

Todos nós passamos por isso, em várias fases da nossa vida.

Parabéns, a desilusão está muito bem caracterizada. 

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Quem sou eu?

Todos passámos pela idade dos ideários, feitos sonho,  que nos faziam sentir paladinos do mundo, mundo que víamos a partir de uma luz utópica, que ofuscava. Saídos da idade da inocência, mortos esses sonhos que alimentaram a adolescância, começámos a sonhar através de outras cores, onde a luminosidade já não oculta, antes desvenda um mundo outro que não conseguíamos então enxergar. Um sonho morre, outro se perfila no horizonte da vida, que não se esgota com a juventude. 

Todos temos necessidade de todos, e de alguém em especial, é-nos intrinseco, mas a consciência de nós faz-nos caminhar numa determinada direcção, ainda que esse caminho se encontre pejado de escolhos, por vezes os da nossa própria vida. "não sei por onde vou, mas só sei que não vou por aí." .

 

Quimeras

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