Elogio do Silêncio
Um silêncio que tudo abarca,
não há limites para isto,
tudo é possível
nos braços deste silêncio,
nas páginas em branco
tudo se escreve,
tudo se apaga
nada vale mais que nada,
tudo vale apenas nada,
e este nada
vale mais do que tudo
o que algum homem nesta terra
poderá alguma vez imaginar,
os tesourosmais grandiosos
da humanidade,
do universo,
não chegam a ser sombras
deste silêncio,
são dedos de espuma
a ondular na maré do silêncio,
um oceano que respira
suave e eternamente,
um oceano que tudo é sem o saber,
sem precisar de o saber,
apenas ele existe,
tudo o resto apenas passa.
O mundo desliza
e canta e dança,
e tudo é bom,
todas as danças são o mesmo movimento,
todos os cânticos provêm da mesma voz,
uma voz que não canta,
uma voz que nunca proferiu uma palavra sequer,
em mil milénios nunca um som se ouviu,
e as danças flutuam e rodopiam também,
giram em redor de si mesmas,
mas Ele nunca se move com elas,
Ele apenas olha,
e sabe que tudo o que é olhado é também Ele,
sem um único movimento
este silêncio é tudo quanto se mexe no mundo,
porque depois de todas as danças
e depois de todos os cânticos,
depois de tudo ter passado e fugido,
depois disso tudo apenas o silêncio se ouve,
e Ele canta, e Ele dança,
sem ninguém o ver.
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