para...II
Estimado D,
Estarás a perguntar-te o porquê de receberes uma carta minha, da tua ex-namorada? Pois, eu já irei explicar. Se receberes esta carta, significa que eu ganhei coragem para fazer o que ultimamente me atormenta o pensamento. Decidi escrever-te para que não pensasses que a culpa era tua. A culpa nunca foi tua. A culpa sempre foi minha. Porque eu, com a mania de que a minha vida é um conto de fadas, acabei por me acomodar às situações da vida.
Apesar de tudo o que aconteceu entre nós, de bom e de mau, quero que saibas que apesar de te odiar, terás sempre um lugar especial no meu coração. Já não te amo, e a cada vez que te vejo sinto mais ódio por ti. Não sei o porquê de sentir isso, mas sinto. Irrita-me tudo o que tu fazes. Até mesmo a tua voz. Irrita-me a maneira como acabaste. Quero que saibas que te culpo por não ter conseguido ir para o exercito. Quero que saibas que te culpo por perder a vontade de viver. Quero que vivas com esse peso na consciência, o resto da tua vida. No entanto, não te culpabilizo pelo problema que surgiu depois da nossa ruptura. Comecei a auto-mutilar-me e a pensar em matar-me. Isso não é culpa tua. Eu é que sempre fui uma pessoa fraca e que nunca aguentou nada que a vida lhe fizesse. Creio que nunca fui sincera contigo. Eu acho que tenho diversas personalidades para diversas situações. E essa pessoa pela qual te apaixonaste não era eu. Era apenas uma parte de mim. Eu sou bem mais complexa.
Se recebeste esta carta, é porque decidi pôr um fim à minha vida. É porque ando farta de toda esta injustiça e de estar sozinha no mundo. Sei que não estou mesmo sozinha. Que tenho os meus pais. Mas como explicar-lhes que eu quero morrer? Nem me venhas dizer que tu estavas aí, porque é mentira. A relação entre tu e eu nunca poderia voltar a ser de amizade. Porque eu já não confio mais em ti. Eu sabia perfeitamente que se te contasse que me auto-mutilava que tu irias criticar e contar à minha mãe. E isso é o que eu queria evitar a todo o custo. Claro que se tu realmente te preocupasses comigo como dizias, quando eu disse que me achava masoquista, devias de ter desconfiado. Porque é que não desconfiaste? Porque é que pensaste que eu estava bem? Porque é que depois de dois anos, não percebeste que eu estava a esconder a minha dor dentro de mim e fingia sorrir, enquanto que as minhas gargalhadas eram tudo menos verdadeiras.
Enfim, não te quero culpar de nada, mas a verdade é que tens alguma culpa no cartório. Mas, descansa, porque eu não levo nenhum rancor comigo. Eu finalmente vou ficar em paz e esquecer todas as dores fisicas e psicológicas. Espero que vivas bem e que sobretudo sejas feliz. Porque isso, foi o que eu sempre quis. Por isso, adeus.
Atenciosamente,
Ana F.M.
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