PRETO E BRANCO
Um dia no piano
Duas harmoniosas teclas se encontraram
E duas peças se cruzaram
num tabuleiro de xadrez.
Um dia
Tudo a nú
Preto no Branco
Branca pena
Depois de mergulhada
Em negro tinteiro
Deslizou
Rabiscou
Branca folha de papel.
Um dia
À chuva
O preto e o branco misturou
O preto desbotou
Acinzentou
Acidente, mera coincidência.
Um dia no ano
Dia de Outono
Protegidos somente pela chuva
Silêncio
Melancolia
Ouvia-se então a melodia
De negras notas
Depois de escritas
Sobre preta pauta
Ou o oposto
O ruído estridente
De um branco giz
Quando risca a negra ardósia
Um dia
À noite
É despoletado o efeito dominó
Peça branca de pinta preta
Que derruba branca peça de preta pinta
Ou pintas
E tecla a tecla
Sete notas entoam
Fá, si, lá, ré, dó.
Nasce assim uma melodia
Ainda que em Outono cinzento,
de triste melancolia
Solta-se então a pena de um anjo
Que esvoaça e esboça
uma sinfonia de cores
Na tela
Ora preta, ora branca
Ora noite, ora dia.
Lembro então que o sol
espreita sempre, através da chuva
E que um dia tudo muda
E de sete, simples cores
Se compõe a melodia.
Um dia
Preto e branco
Noite e dia
Yin e yang.
Magda Graça
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Comentarios
Um poema que a princípio tive
Um poema que a princípio tive de ler mais atentamente para o compreender, mas que hoje leio e releio por o achar tão bonito.
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