DEBAIXO DA PONTE

 

Tinha-o levado o destino
Para debaixo da ponte;
Roubara-lhe a guerra os pais
Ficando só... sem ninguém!

À noite aquele menino
Sem vislumbrar horizontes,
Dormia envolto em jornais
Sem ter notícias... Porém,

Desde que em sua sacola
Houvesse lá, num cantinho,
Um bocadito de pão
Uma gotinha de leite,

A troco dalguma esmola
Dum passante, com carinho,
Já lhe dava a impressão
De ser alguém, ser aceite

O seu mundo era pequeno:
Pouco ia além do recanto
Sendo a ponte o seu chapéu
De chuva, sol, e de frio

À noite, no tempo ameno,
Olhava o céu com encanto
Mas as estrelas do céu
Não davam luz ao vazio

Com sua vida sem norte
Não raro sentia tédio;
Alguém por perto ensinou
Uns comprimidos em pó

Tomou uma dose mais forte
Desse tão estranho remédio
Um dia não acordou
A ponte ficou mais só

Pobre menino! O seu nome?
Qual a idade que tinha?
Quantas noites ao relento,
Quantos dias sem esperanças?

Quantos silêncios de fome
E quanta dor se adivinha!
Quanta chuva, quanto vento
São cobertores de crianças!


Joaquim Sustelo

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Domingo, Mayo 15, 2011 - 02:19

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Joaquim Sustelo

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