PÓ-DE-ARROZ
Há uma bruma de manhãs geadas
na relva do chão por onde me caminha o olhar.
Peugadas de camélias
que eclipsam o nervo do sol atravessado
na garganta dos montes de onde não me vejo.
Cumes que um lençol de nuvens cinzentas
passam náufragas pelas nádegas do ar que me falta.
Respiro o perfume da canção
que desliza sobre a camisa do fel do mundo.
Jardim de óculos sentados num banco de cegueiras
que teimam embriagar a juventude parida do meu rosto.
Retrato-me ao gosto de voo baixo pela coxa da eternidade.
Galáxias enlouquecidas numa madeixa de arbustos
que raspão o queixo ao meu pudor de aço inocente.
Corcel de culpa que me habita o corpo
a cheirar odores de tempo perdido.
Arestas de frio enlatado no molde do vendaval
atormentado na náusea do afecto que nunca senti.
Perdi o ser num punhal de rios
que se esgrima com o palito inapto dos gestos,
pedindo-me autópsias ao socorro em pó-de-arroz .
O vazio do grito vai hirto num balde de água sem som.
Tom de absurdo marulhado no sal da cor
que despe a notícia ninfa da paisagem que me esconde.
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