Não me cravem pedestais...

Não me cravem pedestais
na minha urna
nem me rezem ladainhas de compaixão.
Cubram-me com as mesmas pedras
com que me atiram.

Sou filho da funesta educação
dos tabus da fidalguia

Reneguem-me
com a mesma indiferença
com o mesmo nojo
com o mesmo abandono,
que se despoja deste corpo
infectado pelo vírus da SIDA.

Qual cão com sarna?
Qual besta humana?
Merece ser tratado assim?

Desfaço-me em feridas
estou oco, dissecado.
Matem-me…
…Matem-me
Estou enojado com o mesmo nojo
desta jaula onde a clausura
se enjaulou de mim

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Domingo, Diciembre 14, 2008 - 23:23

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ConceiçãoBernardino

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Comentarios

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Re: Não me cravem pedestais...

Um poema escrito com alma!

:-)

Imagen de ÔNIX

Re: Não me cravem pedestais...

Denso o teu poema, mas que poe a nu uma triste realidade...Nós por aqui enquanto gente que sente, (ou não)

Beijos

Dolores

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Re: Não me cravem pedestais...

Intenso, mas um belo poema.
bjs

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