ALFA PENDULAR

Vai célere o comboio

Puxado porque razão de medo?

 

Perspassa árvores e gritos

Silêncios e brancos

De um vazio ingente.

Desacelera por vezes, quase como

Que a pedir perdão.

Quase como se fosse um

Deus derrubado, sem tempo,

Sem nenhum tempo, pra marcar este tempo!

Para e chocado em seu redor

Retorna a marcha impiedosa.

 

Assim me fiz comboio.

Assim me trouxe o negro

O percurso entre casas que derrubo.

E não para, frenético, não para.

Não me podem parar

E de mim só vejo a poeira

Dos contornos do silêncio

Dos trilhos dos comboios sem vida.

 

Aonde existiam estações

Servem-se desertos esquálidos!

 

Sozinho, este comboio agarrado

A si só, gira,

Por ser assim que girando

Vai cumprindo o seu destino!

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Viernes, Junio 3, 2011 - 21:34

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Lakatos11

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