Tempo do homem (Atahualpa Yupanqui)

A partícula cósmica que navega em meu sangue
é um mundo infinito de forças siderais.
Veio a mim através de um longo caminho de milênios
quando, talvez, fui areia para os pés de vento.

Logo, fui madeira, raiz desesperada
fundida no silêncio de um deserto sem água.
Logo, fui caracol quem sabe aonde.
E os mares me deram a primeira palavra.

Depois, a forma humana despejou sobre o mundo
a universal bandeira do músculo e da lágrima.
E brotou a blasfêmia sobre a velha terra
e o açafrão, e o trigo. A árvore e as pradarias.

Então vim à América para nascer um homem
e a mim se juntou o pampa, a selva e a montanha.
Sim, um velho da planície galopou até minha origem
outro me disse histórias em sua flauta de cana.

Eu não estudo as coisas nem pretendo entendê-las
as desconheço, é certo, pois antes vivi nelas
converso com as rochas em meio aos montes
e me dão sua mensagem as raízes secretas.

E assim vou pelo mundo, sem idade nem destino
ao lado de um cosmo que caminha comigo.
Amo a luz e o rio e o caminho, e a estrela.
E floresço em guitarras porque fui a madeira.


Atahualpa Yupanqui, compositor argentino.


 

Submited by

Lunes, Junio 6, 2011 - 14:35

Poesia :

Sin votos aún

AjAraujo

Imagen de AjAraujo
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 7 años 45 semanas
Integró: 10/29/2009
Posts:
Points: 15584

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of AjAraujo

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Intervención Desencanto (Manuel Bandeira) 0 2.856 08/17/2011 - 20:57 Portuguese
Poesia/Intervención Minha grande ternura (Manuel Bandeira) 0 4.571 08/17/2011 - 20:54 Portuguese
Poesia/Meditación Enquanto a chuva cai (Manuel Bandeira) 0 3.293 08/17/2011 - 20:52 Portuguese
Poesia/Intervención A morte absoluta (Manuel Bandeira) 0 4.539 08/17/2011 - 20:47 Portuguese
Poesia/Pensamientos Arte de Amar (Manuel Bandeira) 0 6.404 08/17/2011 - 20:44 Portuguese
Poesia/Desilusión Surdina (Olavo Bilac) 0 1.506 08/17/2011 - 12:28 Portuguese
Poesia/Amor O Amor e a Morte (José Régio) 0 5.123 08/17/2011 - 12:25 Portuguese
Poesia/Intervención Solidão (Pedro Homem de Mello) 0 4.198 08/17/2011 - 12:23 Portuguese
Poesia/Intervención O que eu sou... (Teixeira de Pascoaes) 0 2.521 08/17/2011 - 12:21 Portuguese
Poesia/Intervención Fim (Álvaro de Campos) 0 5.112 08/17/2011 - 12:16 Portuguese
Poesia/Meditación Memória (Carlos Drummond de Andrade) 0 2.356 08/17/2011 - 12:14 Portuguese
Poesia/Intervención A hora da partida (Sophia de Mello Breyner Andresen) 0 7.358 08/17/2011 - 12:12 Portuguese
Poesia/Intervención Canção da Partida (Cesário Verde) 0 3.735 08/17/2011 - 12:09 Portuguese
Poesia/Archivo de textos Biografia: Cora Coralina(1889-1985), poetisa brasileira, natural de Goiás. 0 16.498 08/17/2011 - 01:21 Portuguese
Poesia/Meditación Mascarados (Cora Coralina) 0 4.572 08/17/2011 - 01:12 Portuguese
Poesia/Dedicada Minha Cidade (Cora Coralina) 0 1.372 08/17/2011 - 01:10 Portuguese
Poesia/Dedicada Rio Vermelho (Cora Coralina) 0 1.045 08/17/2011 - 01:08 Portuguese
Poesia/Dedicada Bem-te-vi bem-te-vi... (Cora Coralina) 0 4.354 08/17/2011 - 01:06 Portuguese
Poesia/Meditación Todas as Vidas (Cora Coralina) 0 730 08/17/2011 - 01:04 Portuguese
Poesia/Archivo de textos Biografia: Mário Quintana (1906-1994), poeta, escritor e jornalista brasileiro. 0 13.214 08/15/2011 - 17:48 Portuguese
Poesia/Intervención Ah! Os relógios (Mário Quintana) 0 1.854 08/15/2011 - 17:38 Portuguese
Poesia/Desilusión Canção dos romances perdidos (Mário Quintana) 0 3.028 08/15/2011 - 17:35 Portuguese
Poesia/Amor Canção do amor imprevisto (Mário Quintana) 0 3.079 08/15/2011 - 17:33 Portuguese
Poesia/Amor Bilhete (Mário Quintana) 0 1.128 08/15/2011 - 17:30 Portuguese
Poesia/Dedicada As mãos do meu pai (Mário Quintana) 0 727 08/15/2011 - 17:28 Portuguese