Partiram as rótulas ao poema
Partiram as rótulas ao poema
Foi encontrado tombado numa esquina
Cheirava a álcool e a estricnina
Tinha os pés descalços
Ninguém se riu quando o viu
Assim caído, tombado
Sozinho e quase abandonado
Trazia nos bolsos os percalços
De um mundo que neles ruiu
Despojos Tristes de um soldado
Que a vida traiu
Foi hospitalizado e curado
Num hospício sem janelas
E também não precisava delas
Longa foi a noite que o pariu
Regressou à rua
Prostitui-se nas vielas
Foi cura sem remédio
Fumou-se no tédio
Sua mãe estatueta nua
Era da verdade a coisa mais crua
Seu pai porteiro sem prédio
Mas tinha um castelo
Do qual era rei
Não tinha regras nem lei
Nem alianças nem elo
Dele partiu à conquista
Dos que de barriga cheia
Quase se perdiam de vista
Chamaram-lhe Quixote
Submited by
Jueves, Enero 29, 2009 - 08:54
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 1711 reads
Add comment
Inicie sesión para enviar comentarios
other contents of admin
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Amor | O ainda desvario | 3 | 4.185 | 03/27/2008 - 15:25 | Portuguese | |
| Poesia/Amor | Apenas humanos | 1 | 5.655 | 03/24/2008 - 14:57 | Portuguese | |
| Prosas/Otros | O escritor é a sua árvore | 1 | 8.666 | 03/20/2008 - 14:05 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Dialogo existencial e outras comédias | 1 | 5.560 | 03/17/2008 - 23:21 | Portuguese | |
| Prosas/Otros | O homem sonha, a obra nasce. Deus existe? | 2 | 7.961 | 03/11/2008 - 20:45 | Portuguese |






Comentarios
Re: Partiram as rótulas ao poema
Muito bom, gostei de ler!
:-)