PROGRAMA DO XIX GOVERNO CONSTITUCIONAL I

CONFIANÇA, RESPONSABILIDADE, ABERTURA


O XIX Governo Constitucional apresenta aos Portugueses, através da Assembleia da
República eleita no passado dia 5 de Junho, o seu programa para a legislatura. Suportao
uma maioria coerente e estável que saberá crescer da sua matriz originária para o
País. A principal preocupação do Governo traduz-se em assegurar a total consonância
do seu programa com as aspirações e as necessidades dos Portugueses no momento
difícil que atravessamos.


Por outro lado, o Governo não pode deixar de salientar a circunstância de cerca de 85
por cento dos deputados eleitos para a Assembleia da República por uma amplíssima
maioria dos Portugueses representarem partidos que subscreveram o Memorando de
Entendimento estabelecido com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o
Fundo Monetário Internacional. Este facto garante o indispensável apoio político e
social ao cumprimento escrupuloso de todas as suas metas, calendários e objectivos.
Torna-se por isso obrigatório o regresso, tão breve quanto possível, a uma trajectória
sustentável das contas públicas que dê lastro a uma economia próspera e criadora de
emprego a médio prazo. Ou seja, rigor e firmeza nas finanças públicas para o
crescimento económico, a promoção do trabalho, a competitividade empresarial e a
inclusão social.


O programa do Governo assenta em cinco pilares fundamentais, a saber, o Desafio da
Mudança, as Finanças Públicas e o Crescimento, a Cidadania e a Solidariedade, a
Política Externa, Desenvolvimento e Defesa Nacional e, por fim, o Desafio do Futuro. A
todos eles subjazem princípios orientadores indeclináveis sustentados no superior
interesse nacional.


Nada se fará sem que se firme um pacto de confiança entre o Governo e os
Portugueses, numa relação de abertura e responsabilidade que permita ao País
reencontrar-se consigo próprio. O Governo desenvolverá uma relação adulta com os
Portugueses por forma a superar a cultura dos paternalismos e das dependências,
estimulando, em contrapartida, uma cultura da responsabilidade e da abertura. Tal
supõe a constante promoção dos valores que constituem o código genético do nosso
regime democrático e a vocação para uma via reformista e de progresso centrada nas
pessoas concretas, nos seus problemas e ambições.


O programa do Governo reflecte amplamente o mandato que recebeu para a
mudança. Trata-se de mudar com realismo e coragem, isto é, sem falácias ideológicas
que escondem sempre falsos desígnios. Pelo contrário, o desígnio do Governo é um
compromisso com a cidadania, com a solidariedade, com a iniciativa e com a
criatividade.


O Governo pugnará por uma sociedade mais cosmopolita e liberta das tentações
periféricas que as mais de três décadas de democracia não conseguiram afastar
plenamente e que, entre outros aspectos, se evidenciaram na estagnação económica,
no abandono do País por parte de tantos que nele não encontraram as oportunidades
que desejavam, assim como na sua crescente marginalização relativamente aos
centros de prosperidade e de progresso do mundo globalizado.
O Governo assume neste programa um registo de combate sereno e determinado às
injustiças. Temos a noção de que Portugal é em muitos planos, e não obstante os
progressos realizados, uma sociedade injusta e desigual. As políticas aqui enunciadas
visam tornar mais móvel a estrutura social, correspondendo assim a uma das
promessas mais nobres do regime democrático, em conjugação com a preservação das
instituições basilares do Estado social e com o aumento da sua eficácia.


Nas opções no domínio da Educação é notório o propósito não só de dotar os
Portugueses de competências e aptidões sólidas, mas também de contribuir para o
desenvolvimento das qualidades intelectuais e humanas que lhes permitam com
confiança participar, quer a título individual, quer como comunidade, nos grandes
processos históricos de globalização económica, cultural e científica.

Os sistemas institucionais – da Administração Pública ao “Estado Paralelo”, da Justiça à
Saúde, da Cultura ao Emprego, do Equipamento Social à Terra – nem sempre se
revelaram à altura das necessidades colectivas. A tarefa do Governo é, também, a de
credibilizar interna e externamente as instituições públicas, colocando-as ao serviço da
cidadania, da solidariedade e do dinamismo económico. Assim o Governo prestigia o
País e a sua soberania, quer na ordem interna, quer na ordem externa, honrando
todos os compromissos contraídos que são hoje indisputáveis componentes da história
do Portugal democrático e europeu.


Este é um programa frugal e realista para quatro anos. Frugal porque pondera as
contingências em que assume funções e apela ao esforço de poupança do Estado, das
famílias e das empresas. E realista porque o move a ambição de ultrapassar e remover
a presente situação de emergência financeira, económica e social que tantos deixou
para trás. O programa que apresentamos estriba-se na eminente dignidade da pessoa
humana, ponto de partida para quaisquer políticas públicas modernas. E acredita na
energia e iniciativa de todos e de cada um para que, com confiança, responsabilidade e
abertura, Portugal não falhe.
 

Submited by

Martes, Junio 28, 2011 - 15:31

Críticas :

Sin votos aún

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 11 años 2 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Desilusión À BEIRA DO PERDÃO 10 3.579 08/14/2010 - 12:50 Portuguese
Poesia/Comedia TELEFONA-TE E NÃO ATENDAS 6 2.453 08/13/2010 - 21:29 Portuguese
Poesia/Pensamientos HIPÉRBOLE 1 3.880 08/13/2010 - 17:53 Portuguese
Prosas/Otros DONO DO TEMPO DE ONTEM 2 7.101 08/11/2010 - 20:44 Portuguese
Prosas/Otros A BORDO DO PECADO 3 5.520 08/11/2010 - 15:27 Portuguese
Poesia/Amor VOU AFIRMAR MERECER-TE 7 4.750 08/11/2010 - 07:43 Portuguese
Poesia/Amor QUERO-TE TANTO TANTO TANTO… 4 3.307 08/09/2010 - 00:29 Portuguese
Poesia/Dedicada PORQUE A NATUREZA CRIOU AS MULHERES? 8 6.183 08/08/2010 - 00:52 Portuguese
Poesia/Amor AMAR É UM NÓ 7 4.785 08/07/2010 - 13:43 Portuguese
Poesia/Aforismo EM VERSOS DE SAUDADE 6 4.645 08/07/2010 - 11:45 Portuguese
Poesia/Pensamientos MARASMO DE PROFUNDOS 6 1.314 08/05/2010 - 14:03 Portuguese
Poesia/Pensamientos POESIA DESDE A LUA AO MAR 6 1.930 08/04/2010 - 21:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos RIO DE MIM RIR 12 1.647 08/04/2010 - 21:00 Portuguese
Poesia/Aforismo O POETA NÃO MORRE 4 6.172 08/02/2010 - 22:19 Portuguese
Poesia/Meditación A ALMA SENTE 5 3.629 08/02/2010 - 22:05 Portuguese
Poesia/Amistad MARULHAR PRESO NAS FLORES DO CAMPO 1 3.350 08/02/2010 - 20:24 Portuguese
Poesia/Pensamientos O PARAÍSO É HOJE 3 4.554 08/02/2010 - 16:59 Portuguese
Poesia/Amor VOZ DE QUEM SE AMA EM NÓS 2 3.108 08/02/2010 - 01:19 Portuguese
Fotos/Naturaleza ENTRADA DO PARAÍSO 1 5.724 08/01/2010 - 21:46 Portuguese
Poesia/Pensamientos INQUIETANTE SUPERFÍCIE DO ÍNTIMO 7 4.850 08/01/2010 - 19:38 Portuguese
Poesia/Dedicada António Feio (1954-2010) 5 3.700 07/30/2010 - 22:39 Portuguese
Poesia/Meditación SOL DE INVERNO 1 5.431 07/29/2010 - 16:30 Portuguese
Poesia/Pensamientos HOMEM ME SONHEI 2 4.253 07/29/2010 - 04:17 Portuguese
Poesia/Pensamientos LAMBISGÓIAS 4 3.101 07/28/2010 - 09:38 Portuguese
Poesia/Amor AS FLORES CRESCEM NA TUA ALMA 6 2.370 07/28/2010 - 07:01 Portuguese