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Café da tarde

Sozinha, sentada num café, eu oiço os barulhos habituais, comentários banais, olhares estranhos. Odor de tasca, perdida no meio do nada, clientes de sempre. Caras cansadas e queimadas do sol, sol esse que é forte e quente, dia abafado. Sinto o calor na palma das minhas mãos, a transpirar, não só as mãos, o resto também, fora do habitat natural. Uma certa comodidade e desconforto ao mesmo tempo, de quem não está em casa. Olhares mesmo estranhos, de quem nunca viu, de quem não está à espera, de quem nunca esperou, de quem já não espera nada, de quem já não quer nada desta vida, de quem nunca viveu. Máquina registadora antiga, com um certo cheiro a mofo e muito uso, antes mofo que naftalina, de quem sempre o fez. Procuro refugiar-me de tanta perseguição, sem perseguir realmente, mera curiosidade, mera ambição, mera falsa aproximação, falsa curiosidade, mera tentativa falhada de encaixe social. Temo olhar, temo os olhares, temo as conversas, os comentários, temo tudo, até a mim própria. Temo o espelho que me rodeia, temo o mundo lá fora, porque não é diferente do mundo aqui de dentro, a mentalidade é a mesma. Olhares de distinção, medo ou um certo orgulho e vontade de ser igual, jovem, futurista, algo ambicionado à umas quantas décadas atrás. Sinto-me orgulhosa por estas gerações, foram elas que lutaram para eu ter o que tenho hoje. Mas no entanto, sinto pena de terem lutado e não poderem aproveitar.

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quinta-feira, dezembro 17, 2009 - 20:11

Ministério da Poesia :

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CatVanesse

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