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Carrossel
Carrossel
A memória entrou em greve.
O futuro agradecer-me-á por isso.
Com excepções pontuais (poucas).
Num qualquer lar de idade indefinida,
ou numa casa
que na altura me parecerá estranha,
terei decerto um momento de lucidez
antes de me cerrarem as pálpebras
e depositarem flores várias sobre o peito.
Escolhe malmequeres brancos,
quero dormir o sono eterno
com a sensação
que estou a adubar a morte
de regador na mão.
Dele brotará um liquido
que transferi dos olhos durante décadas,
fazendo com que os malmequeres
continuem viçosos
como as excepções ao esquecimento.
É pena não acreditar
que possa semear mais memórias
nem limpar o pó à fotografia de família.
Essa irá amarelecendo,
esquecida entre a jarra vazia com água fétida
(os malmequeres foram comigo)
e um qualquer manual
de como sobreviver em caso de apatia.
Ah, não esquecer de te pedir
que telefones a cancelar a assinatura do jornal,
vou fazê-lo já, por escrito.
Não quero que encontrem uma factura por pagar
ao lado do manual,
a apatia tem efeitos duradoiros
e retroactivos,
o que levaria uma eternidade a darem por ela.
Também não pretendo ser coleccionável
numa qualquer caderneta obituário,
bastou-me ser cromo em vida.
Fazes isso por mim?
Pergunta disparatada
para quem anda diariamente no carrossel,
domesticando miniaturas de animais
sem nenhum divertimento.
Não te esqueças de margear o teu quintal,
controla o crescimento do que semeaste.
Numa dessas caminhadas colhe um malmequer
e oferece-mo.
Com ele limparei o pó
à fotografia dos amigos à qual pertences.
O vidro límpido,
a moldura resplandecente,
os corpos sem pose.
Cada um uma pétala
ombreando ao lado de um cd de que gostamos
e de um caderno de apontamentos
onde escrevi a minha ultima vontade:
Domestica as miniaturas
mas não deixes de te divertir
ao andar no carrossel.
Recorda que a memória mesmo em greve não sofre de amnésia.
JFV
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