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ELOGIOS XXVI
26
Offerecido ao juiz e mais festeiros de Nossa Senhora
da Graça da Carnota
Dôce filha do céo, dôce harmonia !
Ao seio dos mortaes ás vezes désces,
E qual rutilas na mansão dos numes,
Sobre a terrena estancia resplandeces:
Principio da união, que liga os entes,
E que n'um só paiz o inundo tróca,
Honra meus labios de teus sons divinos,
Anima o vate, cuja voz te invoca.
Celeste commoção, virtude augusta,
Sagrado zelo, singular piedade,
Conduz almas fieis a que celebrem
Solemne culto á surama divindade.
Dos gratos corações escandecidos
Nos extasis subindo os hymnos sôam,
E os incensos, que o céo paga em sorrisos,
Purificando a terra, aos astros vôam.
Prole da immensa luz, porções do Eterno,
As harpas de ouro modulando afinam,
E os olhos, onde o nume reverbera,
Sobre a terrestre pia turba inclinam.
És da etherea attenção primario objecto,
Tu, que presides ao fervor sagrado,
Tu, magnanimo Silva, em cujo peito
O caracter da gloria está gravado:
E tu, de malfadados meigo asylo,
Tu, moral copia d'elle, amavel Serva,
A quem na eternidade um gráo sublime
Entre os amigos do homem se reserva;
E vós, eguaes na fé, no ardor, no extremo
Aos dous egregios peitos, que decanto,
Viannas, e os demais, em quem se apura
De homens, e numes o commercio sancto;
Não menos vós, metades carinhosas
Dos animos gentís, que entrego á lyra,
Não menos mereceis, esposas bellas,
As honrosas canções, que Phebo inspira,
Exercitae, cumpri, christãos ferventes,
A fé, que os corações vos afoguêa;
Tereis o galardão sobre as estrellas:
O que a terra edifica, o céo premêa.
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