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Prelúdio

Vinde, vós todas, que nos meus caminhos
Derramastes outrora algumas flores,
E destes-me a colher por entre espinhos
A rosa dos amores.

Surgi do limbo escuro, em que escondeis-vos
Do passado na bruma adormecidas,
Onde minha alma ingrata há tanto tempo
Deixou-vos esquecidas.

Eia! ao chamado meu acudi prontas,
E do olvido por entre a névoa espessa,
Belas, donosas, quais vos vi outrora,
Erguei vossa cabeça.

Contam vates que Orfeu, cantor divino,
A morta esposa à luz restituira,
As infernais potencias encantando
Aos sons de ebúrnea lira.

Também da lira aos sons quero evocar-vos
Sombras queridas, pálidas imagens;
Do esquecimento quero hoje arrancar-vos
Às lúgubres voragens.

E quem impedirá? da fantasia
Tenho n'alma o condão onipotente,
Que o passado nos túmulos acorda,
E o faz surgir nos campos do presente.

Das musas o poder não tem limites,
Do sepulcro as barreiras ultrapassa,
Destrói a ausência, as trevas alumia,
E do porvir os áditos devassa.

Dizem que a vida é breve; - eu vejo longos
Por trás de mim os anos já volvidos
Estéreis e tristonhos se estenderem
Em nevoentos longes escondidos.

Entretanto nas sendas da existência
Apenas sete lustros hei transposto,
Nem da velhice ainda a mão pesada
Curvou-me a fronte, nem sulcou-me o rosto.

E nesses anos, que lá vão saudosos,
Quantas vidas de amor tenho vivido;
Que vários fados me hão enchido o tempo,
Quanto hei gozado, e quanto mais sofrido?

Pelas devesas tristes do passado
Como vão meus caminhos alastrados
Dos destroços de minhas esperanças,
De mil laços de amor despedaçados.

Dizem que a vida é breve! - é para aqueles
Que vão singrando em mares de bonança,
Ou resvalando em flóridas veredas
Embalados nos braços da esperança.

Não para quem por sendas escabrosas
Deixa em sangue o vestígio de seus passos,
E aqui e além, em seus tristes errores
Como que o coração larga aos pedaços.

Deslizai ante mim, visões queridas,
Como silfos gentis, na asa da aragem,
Vinde pousar do ressequido tronco
Na pálida ramagem.

Viveis talvez ainda, quase todas,
Muitas no viço da beleza em flor;
Porém decerto há muito já riscastes
Da lembrança meu nome e meu amor.

Viveis ainda? - embora! - na minha alma
Já entre nós o túmulo se ergueu;
Vós éreis meu amor; - pra mim morrestes
Quando esse amor morreu.

Se aos braços meus a campa não roubou-vos
Vejo entre nós barreira inda mais forte;
O fado, a ausência, as ilusões perdidas
Têm muitas vezes mais poder que a morte.

Não sois mais para mim que puros sonhos,
Suaves, que inspirais amor sem zelos;
Como o porvir, nosso passado é sonho,
Porém sem pesadelos.

Aos sons da lira agora vos conjuro,
Vinde um momento conversar comigo;
Vinde num beijo as mal extintas chamas
Reavivar de nosso amor antigo.

Meu coração viúvo e solitário
Já tendo dito adeus às esperanças,
Evocando as imagens do passado
Só vive de lembranças,

Qual em deserto vale albergue em ruínas,
Onde nos rotos tetos adejando
Da noite as auras ululando vagam
Saudades acordando.

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segunda-feira, abril 27, 2009 - 02:18

Poesia Consagrada :

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BernardoGuimaraes

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