CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Depois do Dilúvio
Assim que a idéia do Dilúvio sossegou,
Uma lebre se deteve entre trevos e campânulas cambiantes, e fez sua prece ao arco-íris, através da teia de aranha.
Oh! as pedras preciosas que se escondiam, — e as flores que já olhavam.
Na grande rua suja açougues se abriram, e barcos foram lançados nos degraus do mar lá no alto como nas gravuras.
O sangue correu, no Barba-Azul, — nos matadouros, — nos circos, onde o selo de Deus empalidecia as janelas. O sangue e o leite correram.
Castores construíram. “Mazagrans” enfumaçaram os botecos.
Na imensa mansão de vidros ainda gotejantes, meninos de luto admiram imagens maravilhosas.
Uma porta bateu, — e sobre a praça da vila, o menino girou os braços, compreendidos os cata-ventos e galos dos campanários de toda parte, sob um temporal cintilante.
Madame *** instalou um piano nos Alpes. A missa e as primeiras comunhões foram celebradas nos cem mil altares da catedral.
As caravanas partiram. E o Splendide-Hotel foi erguido no caos de gelo e da noite polar.
Desde então, a Lua ouviu o uivo dos chacais nos desertos de timo, — e écoglas de tamancos grunhindo no pomar. Depois, na floresta violeta, florescente, Êucaris me disse que era a primavera.
— Lago, salte, — Espuma, role sobre aponte e por cima desses bosques; — panos negros e órgãos, — trovão e raio, — subam e rolem; — águas e tristeza, subam e renovem esses Dilúvios.
Pois desde que dissiparam, — Oh as pedras preciosas se enterrando, e as flores se abrindo! — tudo é um tédio! E a Rainha, a Feiticeira que acende sua brasa num pote de barro, não vai querer jamais nos contar tudo o que sabe, e
que nós ignoramos.
Jean Arthur Rimbaud
Livro:
Submited by
Poesia :
- Se logue para poder enviar comentários
- 399 leituras
Add comment
other contents of JeanArthurRimbaud
Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post![]() |
Língua | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia/Geral | Vagabundos | 1 | 420 | 03/04/2010 - 04:09 | Português | |
Poesia/Geral | Cidades | 1 | 478 | 03/04/2010 - 04:08 | Português | |
Poesia/Geral | Rastros | 1 | 486 | 03/04/2010 - 04:08 | Português | |
Poesia/Geral | Cidade | 1 | 647 | 03/04/2010 - 04:08 | Português | |
Poesia/Geral | As Pontes | 1 | 368 | 03/04/2010 - 04:07 | Português | |
Poesia/Geral | Operários | 1 | 410 | 03/04/2010 - 04:07 | Português | |
Poesia/Geral | Frases | 1 | 464 | 03/04/2010 - 04:06 | Português | |
Poesia/Geral | A Uma Razão | 1 | 514 | 03/04/2010 - 04:06 | Português | |
Poesia/Geral | Realeza | 1 | 453 | 03/04/2010 - 04:06 | Português | |
Poesia/Geral | Partida | 1 | 484 | 03/04/2010 - 04:05 | Português | |
Poesia/Geral | Vidas | 1 | 375 | 03/04/2010 - 04:05 | Português | |
Poesia/Geral | BEING BEAUTEOUS | 1 | 487 | 03/04/2010 - 04:04 | Português | |
Poesia/Geral | Antique | 1 | 699 | 03/04/2010 - 04:04 | Português | |
Poesia/Geral | Desfile | 1 | 436 | 03/04/2010 - 04:03 | Português | |
Poesia/Geral | Conto | 1 | 507 | 03/04/2010 - 04:02 | Português | |
Poesia/Geral | Infância V | 1 | 373 | 03/04/2010 - 04:02 | Português | |
Poesia/Geral | Infância IV | 1 | 383 | 03/04/2010 - 04:01 | Português | |
Poesia/Geral | Infância III | 1 | 641 | 03/04/2010 - 04:00 | Português | |
Poesia/Geral | Infância II | 1 | 533 | 03/04/2010 - 04:00 | Português | |
Poesia/Geral | Infância I | 1 | 413 | 03/04/2010 - 03:59 | Português | |
Poesia/Geral | Depois do Dilúvio | 1 | 399 | 03/04/2010 - 03:59 | Português | |
Poesia/Geral | Le bateau ivre | 1 | 470 | 02/28/2010 - 13:25 | Português | |
Poesia/Geral | O Barco Bêbado | 1 | 393 | 02/28/2010 - 13:24 | Português | |
Poesia/Fantasia | Démocratie | 1 | 605 | 02/28/2010 - 02:54 | Português | |
Poesia/Tristeza | Vagabonds | 1 | 395 | 02/28/2010 - 02:54 | Português |
Comentários
Re: Depois do Dilúvio
Muito bom, gostei de ler! :-)