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Estação de comboios

 

 

 

Passou por mim um herói, lembro-me,
desses que vão adiando o fim do mundo.
Um fim cada vez mais próximo, com o medo e insegurança dos tempos
e dos olhos que não olham para ninguém.

Perdi-me por aí, numa estação qualquer
e faltam-me os teus passos para me encontrar
depois do fim deste inverno, aquando das amendoeiras em flor.

Chove, como nunca vi chover
nas nossas tardes de domingo no jardim suspenso.
Perdi-me… e passou mais um comboio pelo apeadeiro,
carruagens de tanta gente, que passa também,
que já não tenho quem abraçar, com tantas linhas desertas.

O fim do mundo está próximo, vejo-o nos rostos,
marcado a medo pela insegurança dos tempos
e estampado em olhos que não se olham,
no receio de verem e serem vistos.

Passou por mim um herói,
vinha no meio de tanta gente, indiferente.
À bucha e à malga da sopa de ontem,
largou uma moeda, jogada ao chapéu de mão estendida, por ali,
onde os comboios não faziam paragem.

Instantes, senti-me perdido,
com o frio do inverno inteiro para te encontrar
e mais um balão de oxigénio nas mãos para o ar que respiras
a explodir-te no peito, em pólvoras e centelhas de ilusão.
Era a fotossíntese entregue a fábricas e chaminés de labor
a acinzentar o azul do céu, com o fim do mundo tão perto,
que me custava a respirar.

São momentos assim,
que fazem um homem sentir-se vazio por dentro, perdido,
como um grão de areia no chão que pisas,
à procura dos teus passos para se encontrar
e erguer-se novamente para o mundo, antes do fim.
Passou por mim um herói,
desses que vão adiando o fim do mundo. Lembro-me.

 

 

Nuno Marques
 

Submited by

sexta-feira, janeiro 21, 2011 - 02:26

Poesia :

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nunomarques

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Comentários

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A vida...

Olá amigo.

Um poema carregado de tristeza.

Bem que o podia ter escrito, tal é a tristeza que sinto actualmente.

Perdi-me por aí, numa estação qualquer
e faltam-me os teus passos para me encontrar
depois do fim deste inverno, aquando das amendoeiras em flor.

Mas que fazer? A vida é feita de "... centelhas de ilusão"

 

Um abraço

rainbowsky

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Estação de comboios

Olá Nuno,

A tristeza é presente em todo o poema. Quando o chão nos foge a solução é ganhar asas...

Beijo,

Clarisse

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