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A fria realidade dos poemas sem calor

 

Vamos brincar de dizer coisas sem sentido
De escrever na imaginação dos loucos.
O peso da vida é pesado que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
A chuva não nos molha o pensamento.

Sou o palhaço mais triste deste circo armado
E sei, na arena não se chora a tenda deserta
Revela-se apenas aquela lágrima malabarista 
A deslizar pelo rosto para morrer no silêncio.

É no fim, quando se apagam as luzes
Que a máscara cai e a vida faz sentido.
Apresentei-me ao mundo sempre despido
E mesmo que ninguém aplauda o truque
Terei realizado o sonho e sido feliz.
 
Vamos brincar de escrever coisas sem sentido
Dizer do vento na imaginação dos loucos
Porque a vida já pesa que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
O calor que emana dos teus olhos, quando lês
É o bastante para aquecer a fria realidade deste poema.
 

 

Nuno Marques

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segunda-feira, dezembro 19, 2011 - 20:29

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