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O caos primordial
Quando nos cansaremos de apontar as mazelas
O caos disseminado por todos os lados?
Até quando será preciso gritar com todas as forças
Contra os desmazelos de uma sociedade corrupta?
Preciso falar abertamente
Sobre a existência humana
Sua deficiências e incógnitas
E ver se acontece alguma coisa
Se alguém ousa tirar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa
Que não seja tirar de quem não tem.
É preciso falar sobre as relações de poder
Sobre as identidades
E buscar em nossa ancestralidade
Um objetivo para a existência humana.
Será que os corvos são pretos porque as folhas são verdes?
Será que se a primavera não existisse haveria o verão?
Quem se importa com perguntas assim
Se o caos primordial tirou o ser humano da zona de conforto
A "hashtag" da contemporaneidade é desumana.
O mundo se transforma
Não informa
Mas deforma
Toda e qualquer sensibilidade
E seguimos no caminho já delineado para nós.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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