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O fim é uma despedida sem adeus

Que me desculpem os interessados se os houver
Mas quando morrer, não vou dizer a ninguém
Não haverá carta de despedida nem obituário no jornal.
A morte cairá sobre mim e sobre a vida como camuflagem urbana
Um manto de rotina de todos os dias
Que cobrirá a totalidade da vossa imaginação
Será o meu sonho terminal, a minha piada final
Névoa branca que tolda a negra realidade das coisas
E terei então morrido sem morrer.

Vou viver desajeitado na morte como vivi na vida
No anonimato bivalve com que experimentei o mundo
E esta distância, este descompromisso de me mostrar
Será uma bênção e uma ausência de sentimento para todos.

Quando quiserem saber de mim e não me encontrarem
Irão pensar que estou vivo e será essa a vossa realidade
Pensarão que parti para algum lugar deserto
Alguma viagem de mochila que não cheguei a fazer
E que estou incontactável
Desinteressado de tudo como sempre me sentiram.

Ninguém vai saber
Que tudo o que vi no mundo, foi meu sem reservas
Tudo o que vivi na vida, fui eu sem limites
E que depois de morrer, serei eu em pensamento
E só será realmente o fim
Quando mais ninguém se lembrar que existi.

O fim é uma despedida sem adeus.

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segunda-feira, setembro 9, 2013 - 19:13

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nunomarques

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