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O mundo

 

 

Não sei.
Não sei, porque não há nada para saber
Não há mistério.
Vejo o mundo, mas não me vejo
Porque tenho os olhos orientados para fora
Direccionados para o mundo.
O mundo que vejo não tem mistério
Porque vejo-o com os meus olhos
E os meus olhos vêem com o meu corpo
E o meu corpo vê com as minhas sensações
E estou assim em tudo o que vejo no mundo.
Eu sou o que vejo
E o mundo é os meus olhos.

Mas não vejo os meus olhos e não vejo o meu corpo
Porque não tenho os olhos orientados para dentro
Na direcção oposta ao mundo.
Se não me vejo por dentro, não me conheço
E se não me conheço, não conheço o mundo
Mas sinto e conheço os meus sentimentos.
Não há mistério
Eu sou o que sinto
E o mundo é os meus sentimentos.

O mistério é o reflexo do que vejo e não sinto
Porque o que vejo no reflexo
É a luminosidade do mundo e as suas máximas verdades
E eu tenho tanta escuridão por dentro
Tenho tantas dúvidas sobre o que vejo
E sobre o que sinto quando não sou.
Eu sou a dúvida
E o reflexo do mundo é as minhas dúvidas.

Quando morrer, o mundo deixará de existir
Não o reflexo do mundo
Mas aquele que vejo com os meus olhos
E aquele que sinto por dentro.
Não há mistério, não há nada para saber
O mundo, sou eu.
 

 

Nuno Marques

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quinta-feira, junho 16, 2011 - 12:56

Poesia :

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nunomarques

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Comentários

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O mundo é o nosso universo

O mundo é o nosso universo interior...

O nosso olhar é uma leitura única,

E único é esse teu poema; belo e profundo.

Beijosmiley

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