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Poema e chuva

Enquanto, lá fora, chove despropositadamente
Tento escrever, nesta folha, um poema com muito propósito
Que seja algo mais que a explanação do pensamento
Mais que a resistência e que o atrito dos labirintos da mente
Tento escrever um poema que venha de dentro
E se cumpra inteiro, morrendo nos olhos de quem o lê

Se eu o escrever corpo, vida e cor
E me sentar à porta a olhar para ele
Será poema em tudo o que existe
Em tudo o que vejo, puro e livre, e aceito porque me é dado.
Sempre que o céu se curvar e tocar a terra
Por meio de brilho e chuva a salpicar as pedras
Desprender-se-á de mim sem choro e sem dor
Todo ele paisagem, perfeição e paz
Porque sendo céu, não é terra, e sendo terra, não é céu
Um equilíbrio que é bom de ver, sem que precise de pensar nele.
Ter-se-á então cumprido ao morrer-me nos olhos
Nascendo, sem esforço, no momento seguinte
Também ele, poema e chuva.

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quinta-feira, maio 22, 2014 - 20:02

Poesia :

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nunomarques

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Comentários

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Poema e chuva

Muito bom meditar enquanto se vê a chuva a salpicar as pedras do nosso pensamento.
Abraços.

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