CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

Qualquer coisa sem propósito

 

A rua desce estreita até ao fundo do meu cansaço.
Vai-se estreitando para o fim, como qualquer coisa sem propósito
Que estranhamente, de todas as vezes que passei por ela
Nunca o consegui explicar.

Nunca houve outra rua mais verdadeira e minha
Do que aquela que me sentiu os passos todos os dias
E da mesma maneira, nunca houve desses dias, somente um
Em que ela soubesse quem eu era e me conhecesse por andar nela.

É a rua onde cresci e me vi passar por mim
Ao perto e ao longe
E me deixou marcas na pele e na alma
Por cair nela muitas vezes. 

É a rua onde andei como desalmado com camisa bem passada
Como inconsciente com sapatos novos a pisar em tudo
Onde andei dentro de mim, como pessoa inteligente sem futuro
E hoje, é a rua que se inclina para falar de tempo e de espaço
Sem falar do que sou, sem marca nem memória que de mim lembre.

Corrida até ao jardim sem respirar
Ir e voltar a deixar marcas pelo passeio e entrar em casa.
Universos percorridos até à extinção da vontade de ir
Ficar exausto, deitar-me na cama e saber que vivi

Se conhecesse, não tinha ido
Se recordasse, não tinha voltado
Por isso fui e voltei muitas vezes, não para conhecer nem para recordar
[mas para me cansar e viver.

Chegar ao fim da rua sem saber a cor das paredes das casas
Por nunca ter morado nelas
E aceitar isto como desleixo de passar desinteressado por tudo e por todos
Enquanto a rua desce e estreita
Enquanto se inclina até já não conseguir andar por ela.

Chegar com propósito ao fim por viver muito
Como se chega sem pressa ao fundo da rua
Lugar de espaço e de tempo, onde se alarga o meu cansaço.

 

Nuno Marques

Submited by

terça-feira, março 13, 2012 - 19:56

Poesia :

Your rating: None (4 votes)

nunomarques

imagem de nunomarques
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 2 semanas 1 dia
Membro desde: 02/09/2010
Conteúdos:
Pontos: 1395

Comentários

imagem de Mefistus

Reencontrar as tuas palavras no caminhar de uma vida

Chegar com propósito ao fim por viver muito
Como se chega sem pressa ao fundo da rua
Lugar de espaço e de tempo, onde se alarga o meu cansaço.

Com grande alegria e não menos admiração constato que a tua poesia não se diluiu com o tempo, não se esfumou. Mantens viva aquela centelha de boa poesia sempre presente nos teus escritos.

Muito bom voltar a te ler!

imagem de GIL60

Belíssimo poema amigo Nuno!

Belíssimo poema amigo Nuno!

Gostei desta viagem ao interior de ti...

Parabéns!

Abraço

imagem de SuzeteBrainer

Meu querido amigo, Com

Meu querido amigo,

Com lágrimas a escorrer ao ler esse teu gigante poema,me admiro que talento imerso tu tens...E reencontro a minha emoção,de ler tantas vezes o Pessoa e encontrar a mesma essência das palavras,a mesma fonte brilhante da poesia que tem a força de transmitir sentimentos...

Obrigada por esse momento!!

Bjsmiley

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of nunomarques

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Geral Há fantasmas por todo o lado 1 1.086 12/04/2011 - 21:36 Português
Poesia/Geral Imaginei uma guerra enquanto as armas descansam 8 887 11/22/2011 - 17:15 Português
Poesia/Geral Hoje, espero mais um pouco 3 1.075 10/15/2011 - 16:04 Português
Poesia/Geral O complicado é pensar sobre... 2 918 09/01/2011 - 10:23 Português
Poesia/Amor Ondas de impacto 2 898 07/08/2011 - 02:48 Português
Poesia/Geral O mundo 1 982 06/17/2011 - 14:49 Português
Poesia/Geral Navios fantasma 0 748 05/13/2011 - 18:37 Português
Poesia/Geral Depois de todo este silêncio que gritei 4 1.222 04/12/2011 - 01:24 Português
Poesia/Geral Poema Suspenso 2 868 02/28/2011 - 00:52 Português
Poesia/Aforismo O abismo (Do ser) 5 721 02/24/2011 - 15:23 Português
Poesia/Meditação Desordem de Chronos 3 1.360 02/20/2011 - 19:07 Português
Poesia/Geral O peso das pedras 1 895 01/26/2011 - 22:10 Português
Prosas/Pensamentos Anestesiados impérios de emoções 0 966 01/26/2011 - 17:35 Português
Fotos/Paisagens Amanheceres 1 1.274 01/26/2011 - 14:55 Português
Fotos/Paisagens Amanheceres 1 796 01/26/2011 - 14:49 Português
Fotos/Paisagens Amanheceres 0 981 01/25/2011 - 21:42 Português
Poesia/Geral Estação de comboios 2 879 01/21/2011 - 14:02 Português
Poesia/Tristeza A fresta 2 643 01/17/2011 - 11:56 Português
Poesia/Meditação Uma luz branca 4 1.624 01/08/2011 - 23:54 Português
Poesia/Aforismo Ponto de partida 2 1.013 12/22/2010 - 21:34 Português
Poesia/Desilusão É natal, e há sinos a tocar lá fora. 2 2.380 12/21/2010 - 16:34 Português
Fotos/ - 3118 0 1.289 11/23/2010 - 23:54 Português
Fotos/ - 3052 0 1.367 11/23/2010 - 23:53 Português
Fotos/ - 3051 0 1.455 11/23/2010 - 23:53 Português
Poesia/Aforismo Imaginação 3 1.015 09/27/2010 - 18:17 Português