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RUA XIS.


(um poema de minha mocidade, 1980}.

RUA XIS

Rua de asfalto que me leva além
Das ruas iguais, visual tal daqui
Mas nelas, indo e vindo, sou ninguém
Em rememórias de tudo que sofri...

sofri ao ver quintal com varal colorido
em favela meio tom a palácios misturados.
Povo falante, elegante, povo sofrido
Risos, apenas risos, tetos de desgraçados...

desgraçados tais genitores e meio-irmãos
De lar alegre e triste que ao tempo resiste,
recriando-se em meu olhar, no meu trajeto,
meu desencanto num furinho do concreto...

de concreto plantas perfiladas nas ruas
De mulher-comércio, ruído me faz escutar
Balada silenciosa, o entardecer recua
Quando cabisbaixo retorno ao meu lar.

Rua de asfalto que me leva além
Do particular que minha rua tem,
Outras nos levam a tantas direções
Levando conosco as mesmas emoções...

emoções tão iguais em ruas diferentes
Tão iguais que vagando a gente sente
Que a melhor rua é a rua ausente
Dos mapas traçados de nosso presente...

presente postes e semáforos por que passo;
Slogans, placas de lata, carros, poluição,
Mas a minha rua é só um pedaço
Do progresso, um grão da construção...

construção inacabada resume o vício
Dos bandoleiros, suas ciladas, o lugar
Nas ruas feias de muros grafitados
De quem faz da rua, da rua seu lar.

O que mais posso ver daqui, longe da Rua Xis
Senão sinais de riqueza, sua divisão,
Transeuntes que nunca antes eu nunca quis
Pela diferença que fere meu coração...?

meu coração um canto me faz cantar:
Rua Xis de pedra e concreto te fiz
Na cidade vazia pro mundo passar
Passando o tempo que antes eu era feliz.

(Rehgge, 1980)

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quinta-feira, junho 14, 2012 - 00:38

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